(Macapá-AP) – Neste ano de 2026, a Rodovia BR-156, que liga o Laranjal do Jari, no extremo Sul do Amapá, a Oiapoque, no Norte, fronteira com a Guiana Francesa, vai completar 94 anos em construção. Daí surge a pergunta: a quem interessa tanta demora na conclusão dessa obra?
Para além das especulações sobre a não conclusão da obra, um morador de Oiapoque tem uma teoria para explicar a demora na pavimentação da rodovia:
“Aqui em Oiapoque todo mundo sabe que existe empresas de engenharia ligadas a grandes grupos políticos e econômicos do Amapá e de Brasília, que ganham milhões com contratos de manutenção da rodovia. Elas fingem que conservam a estrada, e o Governo Federal finge que acredita. Na verdade, o interesse de todos eles é que a BR continue como está porque no dia em que a União resolver, de fato, concluir a pavimentação da estrada, essas empresas, os políticos e seus financiadores, vão parar de ganhar dinheiro às custas da miséria humana e do isolamento de Oiapoque”, denunciou o morador.
Com a palavra, o DNIT – que está enrolado até o pescoço com denúncias de corrupção –, e os políticos amapaenses que fingem estar ajudando a população nessa questão da BR-156.
A jornalista Flávia Marinho escreveu uma excelente reportagem sobre o assunto, publicada no site www.clickpetroleoegas.com.br, no dia 29 de maio de 2025, cujo teor foi atualizado no dia 4 de junho de 2025.
Leia, na íntegra, a matéria escrita por Flávia:
“Imagine viver em um estado onde a principal rodovia que liga a capital à fronteira internacional está em obras há mais de 90 anos — e ainda não foi concluída. Essa é a realidade da BR-156, no Amapá, uma estrada federal com cerca de 823 quilômetros de extensão, que liga Laranjal do Jari, no extremo Sul do estado, até Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa. A rodovia corta o estado de Norte a Sul e deveria ser um dos pilares da integração regional, mas acabou se tornando um símbolo do atraso e da negligência.
Iniciada em 1932, a BR-156 é considerada a obra mais antiga do Brasil ainda em andamento. Em nove décadas, o que se viu foram promessas não cumpridas, trechos abandonados e bilhões de reais em investimentos que não se traduziram em uma construção digna.
Uma rodovia esquecida pelo tempo e pelos políticos
A BR-156 deveria ser o principal eixo de ligação entre Macapá e Oiapoque, ponto extremo ao Norte do Brasil, colado na Guiana Francesa. Mas quem se aventura por lá enfrenta verdadeiras armadilhas: trechos de terra, atoleiros e um vai-e-volta de obras que logo se desfazem com a próxima chuva.
Com apenas o trecho entre Macapá e Calçoene pavimentado, essa rodovia já se tornou símbolo do abandono e da lentidão com que o Estado brasileiro encara os investimentos em infraestrutura na região Norte. Segundo a coluna Cláudio Humberto, do site Diário do Poder, trata-se da obra mais antiga do Brasil ainda em andamento — um marco negativo difícil de engolir.
Trabalhos na BR-156 seguem empacados, sempre acompanhados de promessas de retomada e discursos de campanha
Diante de tamanha demora, muitos amapaenses se perguntam: para que serve a bancada federal do Amapá em Brasília? Afinal, são décadas de mandatos, trocas de cadeiras e alianças políticas, mas nada de concreto na estrada que mais importa para o estado.
Enquanto isso, os trabalhos na BR-156 seguem empacados, sempre acompanhados de promessas de retomada e discursos de campanha. E quando algum trecho finalmente é entregue, não demora para virar lama outra vez.
A obra mais antiga do Brasil ainda em andamento: 93 anos de enrolação e prejuízo
A história dessa rodovia é quase inacreditável. Começou como um ambicioso projeto de integração nacional, mas acabou se tornando um exemplo escancarado da ineficiência pública e da falta de continuidade nas obras federais. Já foram investidos bilhões ao longo dos anos, mas o impacto real na região continua pífio.
De acordo com informações da DNIT, existem projetos para melhorar parte da estrada, especialmente com a pavimentação de novos trechos. No entanto, como mostrou o G1, muitos contratos foram paralisados ou canceladospor falta de verbas ou por problemas com as empreiteiras. Em 2023, houve nova tentativa de retomada das obras, mas os avanços são lentos e enfrentam obstáculos técnicos e logísticos.
O impacto direto na economia, no dia a dia e no bolso dos brasileiros
A BR-156 representa o principal elo de integração do Amapá com o restante do Brasil e com a América do Sul. Com sua situação precária, o escoamento de produtos agrícolas, minerais e industriais se torna inviável em muitos períodos do ano.
Para produtores e comerciantes, o resultado é claro: perda de competitividade, encarecimento do transporte e desestímulo a novos investimentos na região. Já para a população, a situação prejudica o acesso a serviços públicos, saúde, educação e até o turismo, que poderia crescer com a abertura segura da fronteira.
BR-156: a ferida aberta no mapa rodoviário do Brasil
Não é exagero dizer que a BR-156 é uma ferida aberta no mapa rodoviário do Brasil. O país que sonha com hidrovias modernas, trens de alta velocidade e transições energéticas sustentáveis não consegue entregar uma rodovia iniciada há quase um século.
Falta comprometimento das autoridades locais e federais. Enquanto isso, milhares de amapaenses continuam ilhados dentro do próprio estado, dependendo de balsas, voos caros ou enfrentando trechos intransitáveis para simplesmente circular.
O Amapá não pode mais esperar por investimentos concretos, nem continuar sendo ignorado nas prioridades de infraestrutura do país. A BR-156 precisa deixar de ser uma piada nacional e se tornar, enfim, um exemplo de reconstrução e dignidade.
Você é morador do Amapá ou já se aventurou pela BR-156? Sabia que essa é a obra mais antiga do Brasil ainda em andamento? Conta pra gente nos comentários: como foi sua experiência nessa rodovia e o que você acha desse descaso que já dura quase um século? Sua opinião é importante!” (Por Flávia Marinho/clickpetroleoegas.com.br)
No Amapá: a obra mais antiga do Brasil está em construção há 94 anos
O Governo Federal admite que essa é a obra mais antiga do país – quiçá, do mundo. Apenas a título de comparação com outra importante rodovia brasileira, a Belém-Brasília, levou apenas três anos para ficar pronta: de 1957 a 1960. Também conhecida como BR-153, a rodovia tem cerca de 2.130 Km de extensão, ligando o Pará ao Distrito Federal.
Já a BR-156, com seus 822 quilômetros de extensão (menos da metade da Belém-Brasília), vai para quase 100 anos em obra. Daria para ter construído mais de 30 estradas como a Belém-Brasília, nesse período de 94 anos.
Há dois anos, o Governo Federal anunciou que, com recurso de cerca de R$ 550 milhões, obra mais antiga do país seria retomada no Amapá. O próprio ministro dos Transportes, Renan Filho, esteve no Amapá, na época, para anunciar a retomada das obras na BR-156, que teve pavimentação iniciada em 1932.
Renan Filho esteve no Amapá na segunda-feira, 25 de novembro de 2024, para anunciar, junto com autoridades locais, a retomada das obras na BR-156, considerada a mais antiga do país.
Será o fim do isolamento?
A BR-156 é uma importante ligação do Amapá para outros estados. O ministro Renan Filho assinou duas ordens de serviço autorizando a pavimentação de aproximadamente 116 quilômetros da estrada, durante sua visita ao estado. De acordo com o Governo Federal, seriam investidos no total, cerca de R$ 550 milhões oriundos de recursos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
As duas ordens de serviço assinadas dizem respeito a:
· As obras do Lote 1, conectam Macapá a Laranjal do Jari, no Sul do estado e que chega perto da fronteira com o Pará. Neste caso, as obras se estenderão do Km 27 ao 87, totalizando 60 quilômetros de extensão.
A segunda ordem de serviço (Lote 3), refere-se ao trecho entre Calçoene e Oiapoque, ao Norte do estado, desde o Km 687 até o Km 743, totalizando 56 quilômetros.
De acordo com o Governo Federal, sem essa obra pronta, o Amapá permaneceria desconectado da malha viária brasileira, em total isolamento via terrestre. Para chegar ou sair do estado é necessário transporte aéreo ou fluvial.
A falta de pavimentação em grande parte da BR-156 também dificulta o trânsito dentro do próprio estado, gerando riscos de acidentes, além de aumentar o tempo de chegada aos municípios nos pontos extremos do Amapá, como Laranjal do Jari e Oiapoque.
A construção da estrada teve início em 1932, e desde aquela data até 1945 (13 anos de obras), foram construídos apenas 9 quilômetros de rodovia. Os primeiros 100 quilômetros de pavimentação foram realizados 40 anos depois, entre 1985 e 1990.
O próprio Governo Federal admite que a BR-156 é responsável pelo acesso de produtores rurais à cidade, além de auxiliar no escoamento da produção agrícola e pesqueira.
No município de Oiapoque, por exemplo, na fronteira com a Guiana Francesa, a rodovia oferece uma condição importante para a economia local e nacional, através da Ponte Binacional.
Mas nem tudo são “flores” na BR-156. Durante o período de chuvas, o isolamento da fronteira Norte do estado é uma realidade que atinge as famílias, que têm dificuldades até para comprar alimento devido a intrafegabilidade da região. É comum o desabastecimento do comércio local nessa época, e os gêneros alimentícios chegam a dobrar de preço.
Após quase 100 anos, DNIT anuncia
mais 6 Km de pavimentação
Devido à demora na conclusão da obra, foi preciso o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) chamar o Exército Brasileiro – que tem expertise em obras rodoviárias – para tentar apressar o fim da espera de quase 100 anos de construção da estrada.
Na quarta-feira, 24 de dezembro de 2025, o DNIT anunciou que, em parceria com o Exército, concluiu a pavimentação de mais seis quilômetros da BR-156. O trecho fica entre as comunidades de Matapi e Vila Nova, em Santana, e soma-se aos 16 quilômetros já entregues no Lote 4.
Ao todo, segundo o departamento, serão 61 quilômetros de obras no trecho Sul da rodovia. O projeto recebe investimento de cerca de R$ 158 milhões do Governo Federal, dentro do Novo PAC. A execução é feita por meio de um acordo entre DNIT e Exército. Além do asfalto, as obras incluem drenagem de águas pluviais e nova sinalização. Até agora, já foram entregues 16 quilômetros de pista pavimentada e 10 obras de arte especiais, como pontes e viadutos.
A BR-156 é considerada estratégica para o Amapá. Com 822 quilômetros de extensão, liga Laranjal do Jari a Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa. O departamento informou ainda que, atualmente, diferentes trechos da rodovia estão em obras ou manutenção.
No Trecho Sul, além do Lote 4, já há obras no Lote 1, entre Laranjal do Jari e Água Branca. O Lote 2, de Água Branca a Macará, ficou de ser licitado em 29 de dezembro de 2025. O Lote 3, de Macará a Vila Nova, deve ser licitado no primeiro semestre deste ano, assim como o Lote 2, do Trecho Norte. A meta do DNIT é ter toda a rodovia em obras ainda este ano. Mas não arrisca uma data para a conclusão da obra e sua entrega à população.
Fonte: Com informações de Flávia Marinho/clickpetroleoegas.com.br, Josi Paixão e Rafael Aleixo/g1 AP. Imagens: Jorge Júnior/Rede Amazônica, Divulgação/PRF/DNIT/Internet.
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