segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Guerra dentro do STF preocupa juristas e pastores

A crise atual do Supremo não pode ser lida apenas como mais uma disputa entre ministros. O que está em jogo é algo mais profundo: a confiança na capacidade da mais alta Corte do país de arbitrar conflitos sem se tornar ela própria parte deles. Nas últimas semanas, a sucessão de episódios envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça, Flávio Dino e o presidente do STF, Edson Fachin, levou a Corte a uma situação incomum.

A divulgação de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, aproximou o nome de Moraes do empresário investigado; Mendonça, relator de processos relacionados ao caso, tornou públicos elementos da investigação e posteriormente determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do chefe de Inteligência da corporação. Dino, por sua vez, restabeleceu os servidores, antes de Fachin suspender as duas decisões e centralizar a solução do conflito. O plenário deverá enfrentar o impasse.

A dimensão mais delicada está justamente nessa sucessão de decisões individuais. Para o advogado e professor Rafael Mendes Wolkartt, mestre em Direito Processual Constitucional, ex-Procurador-Geral do Município de Domingos Martins e juiz auditor do TJDES, o problema ultrapassa a controvérsia específica e atinge o desenho institucional do Supremo.

“Revela, antes de tudo, um desvio do princípio fundamental das cortes superiores: a colegialidade. Do ponto de vista do Processo Constitucional, a decisão monocrática é uma ferramenta de exceção, desenhada para tutelas de urgência ou para aplicar jurisprudência já pacificada. A crise institucional se instaura exatamente quando a exceção vira regra”, explica.

Na avaliação de Wolkartt, quando decisões individuais passam a produzir efeitos institucionais relevantes sem uma resposta rápida do colegiado, aumenta o risco de fragmentação da própria Corte. Foi justamente essa percepção que ganhou força no episódio envolvendo a Polícia Federal: Mendonça afastou a cúpula da PF, Dino tomou decisão em sentido contrário e Fachin suspendeu ambas, alegando risco de contradições e grave lesão à ordem pública. O próprio STF informou que a Presidência assumiria a condução do procedimento para preservar o devido processo, o contraditório e a ampla defesa.

Para o jurista, o segundo ponto crítico é a imparcialidade. O caso se torna particularmente sensível porque os próprios ministros envolvidos na controvérsia integram o órgão responsável por avaliar medidas que podem atingir colegas. A legislação processual diferencia impedimento, relacionado a situações objetivas, e suspeição, ligada a circunstâncias subjetivas. Na leitura de Wolkartt, a dificuldade institucional aparece quando a própria Corte precisa avaliar seus integrantes.

“Compromete severamente, pois a imparcialidade não é apenas um dever ético, é um pressuposto processual de validade. Juridicamente, o Código de Processo Civil e o Código de Processo Penal são claros: o impedimento trata de critérios objetivos, enquanto a suspeição envolve critérios subjetivos. O grande gargalo institucional hoje é que o STF julga as próprias suspeições”, justifica Wolkartt.

A crise ganhou combustível com o material extraído do celular de Vorcaro. Segundo documentos divulgados, o empresário teria enviado mensagens a Moraes pedindo informações ou ajuda relacionada às investigações, enquanto o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, manteve contrato milionário com o Banco Master. Também surgiram registros de encontros e ofertas envolvendo aeronaves. Isso, porém, não significa que esteja comprovada uma irregularidade cometida por Moraes: o material divulgado não recuperou as respostas do ministro às mensagens e, em vários episódios, não permite saber se pedidos feitos por Vorcaro foram atendidos.

O outro lado da história também é relevante. Mendonça confirmou ter recebido Vorcaro em março de 2025, em encontro que não constava de sua agenda oficial, antes de assumir a condução de decisões relacionadas ao caso. A revelação alimentou o debate sobre possíveis conflitos de interesse em diferentes lados da disputa. Ao mesmo tempo, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado, utilizando documentos de inteligência que, segundo a própria PF, tinham baixa confiabilidade e não possuíam valor probatório.

É nesse ponto que a crise deixa de ser apenas jurídica e passa a ter uma dimensão política. O Brasil está em ano eleitoral, e decisões envolvendo a PF, ministros do Supremo, aliados do governo e integrantes do campo bolsonarista inevitavelmente produzem efeitos políticos. Wolkartt vê nesse ambiente um risco particularmente grave.

“O risco é altíssimo e flerta perigosamente com a judicialização da política e o ‘lawfare’. Quando instituições de Estado movimentam inquéritos sensíveis às vésperas das urnas, a percepção pública fatalmente será a de interferência no processo democrático. Para preservar sua legitimidade, a palavra de ordem para o Supremo deve ser a autocontenção judicial”, alerta.

A advertência encontra eco no próprio movimento de Fachin. O presidente do STF retirou a manifestação de Moraes do chamado Inquérito das Fake News e determinou que ela fosse analisada em procedimento próprio, além de pedir manifestações da PGR, de Moraes, Mendonça e do diretor-geral da PF. Fachin afirmou que os fatos precisam ser apurados dentro da Constituição e que “nenhuma autoridade está acima da Constituição”.

Mas há uma dimensão que não se resolve apenas com regimento, competência ou procedimento: como os cristãos devem reagir quando as instituições entram em uma zona de profunda desconfiança? É aqui que a reportagem deixa o campo jurídico e entra no teológico.

O lado evangélico de Mendonça inflamou a atual polrização do país

No meio evangélico, André Mendonça construiu uma imagem singular desde sua indicação ao Supremo Tribunal Federal. Pastor presbiteriano e ex-advogado-geral da União no governo Jair Bolsonaro, chegou ao STF carregando a expectativa de ser uma voz mais próxima dos valores defendidos por parcela expressiva das igrejas evangélicas, especialmente em temas relacionados à liberdade religiosa, família e costumes. Sua postura mais reservada e o discurso de respeito às instituições ajudaram a consolidar, entre lideranças e setores conservadores, a percepção de que Mendonça poderia representar uma presença evangélica diferenciada dentro da Corte.

Essa relação, porém, não é homogênea nem significa apoio automático a todas as suas decisões. Com o passar do tempo, Mendonça passou a ser observado também pela forma como equilibra suas convicções religiosas com o papel institucional de ministro do STF. Para parte dos evangélicos, sua atuação é vista como um teste importante sobre até que ponto alguém identificado com a fé cristã pode exercer uma função de Estado sem transformar a religião em instrumento político. É justamente essa tensão entre fé, consciência, independência judicial e expectativa das igrejas que ajuda a explicar por que Mendonça continua sendo acompanhado de perto pelo meio evangélico.

Para o pastor e teólogo Kenner Terra, a primeira tarefa da Igreja é resistir à tentação de transformar preferências políticas em critérios absolutos de verdade. O cristão, segundo ele, deve observar a atuação do Estado a partir de princípios que não pertencem nem à direita nem à esquerda: justiça, equidade, verdade e direito.

“A Igreja precisa considerar a exortação bíblica, especialmente a dos profetas do Antigo Testamento, sobre priorizar a justiça, a equidade e o direito. Além disso, Paulo, quando falou do fruto do Espírito, estava, entre outras coisas, convidando a Igreja a ser uma presença sensata, madura e equilibrada no mundo”, ressalta.

A consequência dessa visão é uma posição desconfortável para os polos políticos: a Igreja não pode transformar nenhum ministro, presidente, partido ou grupo ideológico em objeto de confiança absoluta. Para Kenner, a indignação cristã pode existir, mas precisa estar submetida à verdade.

“Acima de tudo, a justiça e a verdade são valores imprescindíveis para os seguidores do Evangelho. Por isso, com sabedoria, domínio próprio e discernimento, o bom cristão não é sugado pela polarização e consegue ser coerente em sua santa indignação, a qual não tem partido, senão a justiça e a verdade”, alerta.

Essa postura exige uma espécie de disciplina espiritual diante da política. Na prática, significa não aplicar uma régua moral para adversários e outra para aliados. Uma eventual irregularidade deve ser questionada independentemente de quem esteja envolvido. Do mesmo modo, uma acusação não pode ser transformada automaticamente em condenação apenas porque confirma a visão política de quem a recebe.

“A justiça e a verdade estão sempre acima de suas preferências e vontades. Então, os seguidores de Jesus podem demonstrar suas preferências, mas isso nunca pode levá-los a incoerências e à aceitação acrítica, o que evitaria confundir a verdade com a minha própria vontade”, pontua o pastor.

Kenner também coloca sobre pastores uma responsabilidade adicional. Em um ambiente de redes sociais, vídeos curtos e informações fragmentadas, a liderança religiosa pode contribuir tanto para reduzir a temperatura quanto para amplificá-la. O púlpito, nessa perspectiva, não deveria funcionar como extensão de um comitê eleitoral.

“Antes de qualquer coisa, é dever vocacional do pastor não usar o púlpito como palanque e respeitar a pluralidade das opiniões político-partidárias. (…) Igrejas, líderes e pastores devem dar o exemplo, evitando propagar fake news. Devem ser pacificadores, e não inflamadores da polarização; serem testemunhos de reconciliação e fontes de sabedoria relacional”, orienta.

O pastor Jorge Linhares, líder da Igreja Batista Getsêmani, em Belo Horizonte, e presidente do Conselho de Pastores, olha para a crise por outro ângulo: o efeito dela sobre o cidadão comum. Para ele, a sucessão de conflitos entre instituições produz justamente aquilo que nenhuma democracia pode se dar ao luxo de perder: confiança.

“É muito triste para os leigos, pois passa uma incerteza e insegurança nas instituições que deveriam ser uma das mais confiáveis. A igreja interpreta o que está sendo repassado pela imprensa e passa a ter um projeto de oração e preparar jovens para ocupar esses espaços nos postos estratégicos”, ressalta.

Linhares defende que a resposta cristã não seja a retirada da vida pública, mas a preparação para ocupá-la com responsabilidade. A recomendação é menos emocional e mais estratégica: estudar, acompanhar, participar e formar pessoas capazes de exercer funções públicas: “Lendo, estudando, participando e não se vitimizar. Nunca buscar benefícios próprios, mas votar em pessoas preparadas e que já demonstraram seu valor.”

A fala dos dois pastores converge em um ponto importante: a crise institucional não deveria produzir uma Igreja ainda mais partidária, mas uma Igreja mais madura politicamente. Isso significa compreender as instituições, distinguir denúncia de prova, acusação de condenação, divergência política de princípio cristão e, sobretudo, abandonar a ideia de que determinado grupo político possui monopólio sobre a defesa da fé.

No campo jurídico, a saída apontada por Wolkartt passa pela recuperação da colegialidade, pelo rigor na análise de impedimentos e suspeições e por uma atuação mais coordenada da Presidência do Supremo. No campo pastoral, Kenner Terra e Jorge Linhares apontam para outra espécie de freio: discernimento, estudo, oração, participação responsável e recusa à idolatria política.

O ponto de encontro entre essas duas leituras talvez seja justamente o mais importante. Instituições fortes dependem de regras, mas também de limites pessoais. Quando ministros, políticos, líderes religiosos ou eleitores passam a acreditar que seus objetivos justificam qualquer método, o problema deixa de ser apenas quem está certo em determinada disputa. Passa a ser a própria confiança no sistema.

E esse é o verdadeiro tamanho da crise do STF. Não se trata apenas de saber quem vencerá a próxima disputa entre Moraes, Mendonça, Dino ou Fachin. Trata-se de saber se o Supremo conseguirá demonstrar, diante de um país dividido e às portas de uma eleição, que seus conflitos podem ser resolvidos pelas regras que ele próprio aplica aos demais.

Entenda a crise em 8 pontos

1. O caso Banco Master
A crise ganhou nova dimensão após a divulgação de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado por possíveis irregularidades financeiras. O material aproximou o nome de Alexandre de Moraes do empresário.

2. As mensagens para Moraes
Vorcaro teria enviado mensagens ao ministro pedindo informações e ajuda relacionadas a investigações. Como as respostas de Moraes não foram recuperadas, o conteúdo divulgado não permite concluir, por si só, que os pedidos tenham sido atendidos.

3. O contrato com o escritório da esposa de Moraes
Documentos apontaram contrato de aproximadamente R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes. O escritório afirma que houve consulta sobre possíveis impedimentos e que o contrato foi legal. Uma segunda proposta, envolvendo aeronaves, não teria sido aceita.

4. A reação de Moraes
Moraes pediu que André Mendonça fosse investigado, acusando o colega de direcionar investigações por razões pessoais e políticas. Parte dos elementos utilizados na reação veio de relatório de inteligência cuja confiabilidade foi posteriormente questionada.

5. O encontro de Mendonça com Vorcaro
Mendonça confirmou ter recebido Vorcaro em março de 2025, antes de assumir decisões relacionadas ao caso. O ministro afirmou que a conversa tratou de processo envolvendo precatórios e que posteriormente decidiu contra o interesse do empresário.

6. A batalha pela Polícia Federal
Em 8 de setembro, Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o chefe de Inteligência, Leandro Almada. No dia seguinte, Flávio Dino tomou decisão em sentido contrário e os reconduziu aos cargos.

7. Fachin entra no conflito
O presidente do STF suspendeu as decisões de Mendonça e Dino, considerando que a sucessão de decisões sobre os mesmos fatos poderia produzir grave lesão à ordem pública. Fachin também assumiu a coordenação institucional do impasse.

8. O próximo capítulo
A questão deverá ser submetida ao colegiado do Supremo. A expectativa é que o Plenário estabeleça os limites para a atuação individual dos ministros no conflito envolvendo a PF, enquanto seguem as apurações sobre as condutas atribuídas aos envolvidos.

Fonte: Cristiano Stefenoni/comunhao.com.br. Imagem: Divulgação/Internet.

Alerta: Bets já alcançam 1 em cada 5 estudantes

Um levantamento nacional acende um alerta sobre a presença das apostas online entre crianças e adolescentes brasileiros. Segundo pesquisa realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info, 20,4% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio afirmam já ter feito apostas pela internet. O estudo ouviu 1.912 alunos de 191 escolas em todo o país e mostra que o contato com as bets começa muito antes da maioridade.

O cenário se agrava conforme os estudantes avançam na trajetória escolar. Entre os alunos dos anos finais do ensino fundamental, 16,2% disseram já ter apostado. No ensino médio, o índice sobe para 27,3%. Entre os estudantes do 3º ano do ensino médio, chega a 49,7%, praticamente metade dos entrevistados. Aos 17 anos, 32,3% afirmaram já ter feito apostas, percentual que alcança 40,1% entre os maiores de 18 anos.

O dado talvez mais preocupante seja a idade de entrada nesse universo. Entre estudantes de até 11 anos ouvidos pela pesquisa, 9,5% afirmaram já ter apostado online. A pesquisa indica, portanto, que o contato com as plataformas começa ainda na infância e se amplia ao longo da adolescência. O acesso de menores de 18 anos às apostas é proibido pela legislação, o que levanta questionamentos sobre a capacidade de impedir que crianças e adolescentes cheguem às plataformas.

A exposição também apresenta diferença significativa entre meninos e meninas. Os meninos aparecem com maior frequência entre os estudantes que relatam já ter apostado, especialmente no ensino médio. O levantamento aponta ainda que a prática aparece tanto entre alunos de escolas públicas quanto privadas, mostrando que o problema não está restrito a um determinado perfil socioeconômico.

Além da dimensão comportamental, existe uma consequência financeira expressiva. Estimativas associadas ao levantamento apontam que as perdas acumuladas pelos estudantes podem ultrapassar R$ 1 bilhão. O número ajuda a dimensionar o tamanho do problema, mas deve ser apresentado como estimativa, e não como valor efetivamente medido em cada aposta realizada pelos entrevistados.

O fenômeno também revela uma mudança na relação de crianças e adolescentes com o dinheiro. As bets são apresentadas como entretenimento, mas podem introduzir precocemente a ideia de que ganhar dinheiro depende da sorte ou de um palpite certeiro. Para famílias, escolas e igrejas, o desafio passa a ser discutir não apenas o risco de perder dinheiro, mas também conceitos como responsabilidade, autocontrole, consumo, trabalho e o valor atribuído ao dinheiro.

No ambiente cristão, o tema ganha uma dimensão ainda mais ampla. A Bíblia não trata das apostas esportivas modernas, mas apresenta princípios recorrentes sobre domínio próprio, ganância, amor ao dinheiro, responsabilidade e administração dos recursos. Textos como 1 Timóteo 6:9-10, que alerta para os perigos associados ao desejo de enriquecimento, e Provérbios 13:11, que contrapõe ganhos obtidos rapidamente à construção paciente de patrimônio, podem servir como ponto de partida para conversas com adolescentes. O objetivo não deve ser apenas dizer “não aposte”, mas ajudar o jovem a compreender por que a promessa de dinheiro fácil pode ser uma armadilha.

O levantamento coloca, assim, um novo desafio diante de pais e educadores: as bets não estão apenas nos celulares dos adultos. Elas já chegaram ao universo escolar e alcançam estudantes que, em muitos casos, ainda estão construindo sua relação com dinheiro, risco e responsabilidade. Quando quase metade dos alunos do último ano do ensino médio relata já ter apostado, o fenômeno deixa de ser um comportamento isolado e passa a exigir atenção de famílias, escolas, autoridades e comunidades de fé.

Fonte: Cristiano Stefenoni/comunhao.com.br. Imagem: Divulgação/Internet.

Como a fé transforma relações em tempos de distração?

A velocidade da vida cotidiana tem reduzido o espaço para uma atitude essencial nos relacionamentos: prestar atenção. Entre notificações, compromissos e conversas atravessadas pelas telas, sinais de cansaço, tristeza ou preocupação podem passar despercebidos. Para a fé cristã, entretanto, olhar para o outro não é apenas uma questão de gentileza, mas parte de uma maneira de viver.

O princípio está expresso em Filipenses 2:4: “Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros”. O texto bíblico desloca o foco do indivíduo e o convida a considerar também aquilo que o próximo sente, enfrenta e necessita.

Segundo Ivonne Muniz, diretora da Escola do Futuro Brasil e pastora da Igreja Vida Nova, desenvolver essa percepção exige uma decisão consciente de estar presente. “Em uma sociedade em que todos estão sempre ocupados, ser atencioso é escolher perceber o outro. É ouvir com interesse, observar aquilo que muitas vezes não é dito e compreender que pequenos gestos de cuidado podem ter um impacto muito maior do que imaginamos”, afirma.

Ouvir é perceber

Nem sempre uma pessoa dirá que precisa de ajuda. Uma mudança repentina de comportamento, um silêncio fora do habitual ou até mesmo a falta de disposição podem funcionar como sinais de que algo está acontecendo. Reconhecê-los, porém, depende de uma atenção que vai além de simplesmente estar fisicamente próximo.

A escuta ocupa papel importante nesse processo. Em muitas conversas, enquanto alguém fala, o interlocutor consulta o celular, pensa na própria resposta ou se prepara para mudar de assunto. Ouvir verdadeiramente requer outra postura: desacelerar, demonstrar interesse e compreender antes de reagir.

Esse comportamento favorece relações nas quais existe maior confiança para compartilhar dificuldades. Quando alguém percebe que será ouvido sem interrupções ou julgamentos imediatos, encontra espaço para expressar aquilo que nem sempre consegue dizer de outra maneira. “Nem sempre o outro precisa de uma resposta pronta. Muitas vezes, precisa encontrar alguém disposto a ouvir. A atenção comunica algo muito importante: ‘você importa, eu estou aqui e aquilo que você está vivendo merece ser considerado’”, destaca Ivonne. Na perspectiva bíblica, contudo, a atenção não termina na percepção. Identificar uma necessidade também pode significar assumir uma atitude diante dela.

O pouco pode fazer diferença

Um dos episódios mais conhecidos do ministério de Jesus ilustra essa dimensão prática. Em João 6:1–13, uma grande multidão está diante de Cristo quando surge a necessidade de alimentá-la. Um menino possui cinco pães e dois peixes e coloca o que tem à disposição.

A quantidade parecia pequena diante do tamanho da multidão. Ainda assim, aquele recurso foi usado por Jesus na multiplicação dos alimentos. O episódio mostra que a contribuição de alguém não precisa parecer grandiosa para ter valor.

O princípio pode ser transportado para situações comuns. Em família, atenção pode significar perceber o desgaste de alguém, perguntar como foi o dia, dividir uma tarefa ou simplesmente reservar tempo para uma conversa. Na escola, professores e alunos atentos podem identificar dificuldades emocionais, acadêmicas ou sociais antes que elas se agravem.

No ambiente profissional, a percepção também pode prevenir problemas. Um líder que reconhece sinais de sobrecarga tem a oportunidade de intervir antes que o desgaste aumente. Entre colegas, considerar o efeito das próprias palavras e atitudes pode evitar conflitos e fortalecer a convivência.

“Cuidado não é feito apenas de grandes ações. Ele aparece na rotina, na maneira como tratamos as pessoas, no tempo que dedicamos a elas e na capacidade de perceber quando alguém precisa de apoio. É uma postura que precisa ser cultivada todos os dias”, afirma Ivonne.

Mudança de olhar

A atenção ao próximo também transforma quem decide praticá-la. Observar antes de reagir permite considerar melhor o contexto de determinada situação, as emoções envolvidas e as possíveis consequências de uma resposta impulsiva.

Outro relato bíblico ajuda a ampliar essa reflexão. Em 2 Samuel 6:10–12, Obede-Edom recebe a Arca da Aliança em sua casa. Durante o período em que ela permanece ali, sua família é abençoada pelo Senhor. A narrativa remete à responsabilidade de cuidar daquilo que é colocado sob nossa guarda — princípio que também pode ser aplicado às relações humanas.

Cultivar esse olhar requer escolhas concretas: deixar o celular de lado durante uma conversa, olhar nos olhos, lembrar de uma situação importante para alguém, reconhecer uma emoção não verbalizada ou permanecer ao lado de quem atravessa uma dificuldade. São atitudes simples, mas que comunicam uma mensagem poderosa: o outro foi visto e tem valor.

Para Ivonne Muniz, esse comportamento está diretamente relacionado ao modo como Jesus se relacionava com as pessoas. “Jesus nos ensina uma fé que olha para pessoas. Ele percebia quem estava à margem, quem sofria e quem precisava ser acolhido. Por isso, a atenção ao próximo não deve ser vista apenas como uma qualidade de personalidade. Para o cristão, ela também é uma maneira de viver o amor na prática”, ressalta.

Fonte: Patrícia Scott. Imagem: Divulgação/Magnific.

domingo, 13 de setembro de 2026

Eleições 2026: Critérios bíblicos para saber em quem votar

Num primeiro momento, antes de adentrarmos ao tema central, é necessário que nos conscientizemos de alguns pontos de suma importância.

O mundo vive grande crise de polarização política, uma divisão ideológica que invadiu casamentos, famílias, grupos de amigos e até mesmo igrejas locais, provocando cisões e inimizades entre irmãos.

A bem da verdade, durante muitos anos a máxima de que "crente não se envolve com política" ou "política é coisa do diabo", fez que a maioria dos cristãos evangélicos atuais crescessem com uma visão superficial sobre a política e atingissem apenas uma filiação religiosa sobre o tema, com um histórico de a igreja não discutir política com profundidade.

Consequentemente, essa atitude formou um público evangélico que, em geral, não é bem informado sobre o tema em foco, de maneira a ficar alienado. Entretanto, por conta da obrigatoriedade, muitos votam de forma errada ou de forma descompromissada com nossos princípios e valores. Isso nos obriga a ter que aceitar que, se o cristianismo tem pouco a argumentar sobre política, por conseguinte, também tem pouco a contribuir com ela, o que não é verdade.

Por outro lado, uma visão teocrática para a política atual onde se apela a usar o Estado para obrigar pessoas à fé cristã, não se evidencia no mundo real. Da mesma forma, silenciar e se omitir de falar da fé cristã na esfera pública curvando-se às ideologias, não se constitui um elemento hermenêutico político correto para a igreja escolher. Igualmente, demonizar a política aferindo a ela uma posição de igualdade com qualquer coisa má, não produz benefícios à igreja e nem contribui para um crescimento politizado de seus fiéis.

Em tese, a Igreja como organismo realmente não precisa da política, ela está alicerçada e firmada em Jesus, nosso Senhor, pois ele mesmo disse: "Também eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". – Mateus 16.18.

Fonte: https://besalielrodrigues.blogspot.com. Imagem: Divulgação/https://besalielrodrigues.blogspot.com.

Princípios cristãos

A Igreja de Cristo é aquela que não renuncia aos princípios éticos exarados nas Sagradas Escrituras e, para tanto, seguirá e servirá ao Senhor independente das circunstâncias, tempo e/ou adversidades.

Nessa perspectiva, quando falamos da igreja local, como organização, essa deve estar estabelecida de acordo com a legislação e normas vigentes do país onde está sediada, e se submeter às autoridades constituídas, cuja autoridade governamental é exercida pelos políticos – Romanos 13.1-7.

Nessa ótica, quando o apóstolo Paulo fala sobre sujeição à autoridade, não está se referindo simplesmente a homens como pessoas físicas, mas à responsabilidade outorgada aos tais. Na velha aliança, tais funções eram outorgadas pelo próprio Deus, mas hoje, no caso do poder público, são delegadas pelos eleitores através do voto. O voto do cidadão é a procuração para que os políticos governem durante a gestão do seu mandato.

Somos hoje milhões de cristãos nesta Nação e, portanto, é necessário que tenhamos gente com base sólida e doutrinária para nos representar sem promover vexame ao nome de Jesus.

Se os justos negligenciarem, haverá ímpios suficientes que assumirão a missão. Portanto, necessário se faz colocar representantes nas esferas públicas políticas e, para isso, alguns critérios devem ser estabelecidos pelo eleitor, a saber: a) Considerar qual é a filosofia do partido do candidato; b) Pesquisar a história política do candidato, desde o início de sua carreira política, para saber de seu pensamento sobre política e compromisso com o eleitor; c) Averiguar os seus feitos em favor da sociedade desde sua primeira eleição; d) Ler com atenção seu programa de governo executivo ou legislativo e detectar se ele se aproxima dos princípios e valores cristãos.

Fonte: https://besalielrodrigues.blogspot.com. Imagem: Divulgação/https://besalielrodrigues.blogspot.com. 

A parábola dos maus políticos

A parábola de Jotão referida na Bíblia, em Juízes 9.8-15, exemplifica bem essa situação:

"Certa vez as árvores foram ungir para si um rei. Disseram à oliveira: Reine sobre nós. Porém a oliveira lhes respondeu: Deixaria eu o meu óleo, apreciado por Deus e pelos homens, para dominar sobre as árvores Então as árvores disseram à figueira: Venha você e reine sobre nós. Porém a figueira lhes respondeu: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, para dominar sobre as árvores? Então as árvores disseram à videira: Venha você e reine sobre nós. Porém a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu vinho, que agrada a Deus e aos homens, para dominar sobre as árvores? Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Venha você e reine sobre nós. ¹⁵ E o espinheiro respondeu às árvores: Se é verdade que querem me ungir rei sobre vocês, venham e se refugiem debaixo de minha sombra. Mas, se não, que do espinheiro saia fogo que consuma os cedros do Líbano".

Creio que devemos enfrentar o desafio de não falharmos no ensino do nosso povo sobre tema de tamanha relevância. Salomão diz: "Não havendo direção sábia, o povo fracassa; com muitos conselheiros, há segurança". - Provérbios 11.14. Fonte: Pr. Carlos Roberto Silva. Artigo original publicado na Revista Obreiro Aprovado - Edição Ano 49 - número 113 da CPAD. Imagem: Divulgação/https://besalielrodrigues.blogspot.com.

Livro “Santana da Amazônia”

Autor: Marlus Carvalho, Brasília: Senado Federal, Série nº 326, 2024, 119p.

O povo santanense é um gigante que tateia pela escuridão dos séculos o espelho que revele a sua grandeza refletida no valor de seus feitos do passado construindo num enredo cheio de reviravoltas, com sucessivas conquistas, abandonos e posteriores soerguimentos, às vezes, literalmente do nada. A história de Santana faz refletir sobre sua trajetória e conecta com os predecessores, descobrindo a origem da resiliência em um passado que é uma fonte inesgotável de coragem e inspiração.

Diz o autor da obra: “Falar sobre a nossa origem foi uma tarefa que exigiu muito de mim. Do insight inicial das pesquisas até a última linha, este livro foi reescrito diversas vezes, O motivo? Foi uma obra concebida para ser leve e narrativa, mas que no decorrer da pesquisa acabou revelando novas partes de nosso quebra-cabeça civilizatório que estavam soltas e que apontam para um entrelaçamento da constituição do município com a própria gênese do Amapá.”.

Fonte: https://besalielrodrigues.blogspot.com. Imagem: Divulgação/https://besalielrodrigues.blogspot.com.

Guerra dentro do STF preocupa juristas e pastores

A crise atual do Supremo não pode ser lida apenas como mais uma disputa entre ministros. O que está em jogo é algo mais profundo: a confianç...