Posso ser sincero com você por um momento? Provavelmente não há nada mais fácil na vida cristã do que encontrar falhas na sua igreja ou no seu pastor. Todo domingo, em algum lugar do Brasil, alguém está sentado no banco da igreja, braços cruzados, listando mentalmente tudo que está errado na liderança da igreja. Agora, antes de concordar com muita ênfase (quase consigo ver você fazendo isso), permita-me lembrar algo importante: a mesma humanidade que você vê nas falhas do seu pastor também está presente em sua própria vida. A diferença é que suas lutas não são observadas por centenas de olhos todas as manhãs de domingo.
Igrejas são compostas por pessoas imperfeitas e lideradas por líderes imperfeitos; quando juntamos esses dois fatores, sempre haverá algo para reclamar. Mas só porque você pode expressar sua reclamação, não significa que deve fazê-lo imediatamente. Antes de abordar seu pastor após o culto com as temidas palavras “Precisamos conversar”, quero compartilhar uma abordagem diferente. Elaborei o que chamo de Programa em 9 passos para reclamões crônicos – e sim, estou falando comigo mesmo também, pois fui o protótipo desses passos. Pense neles como uma lista espiritual para checar antes de reclamar.
Ao seguir esses passos, mesmo que sua preocupação continue válida, você estará preparado para tratá-la de forma construtiva, fortalecendo o corpo de Cristo ao invés de destruí-lo. Confira as nove atitudes que você deve tomar antes de reclamar da sua igreja ou pastor:
1. Ore continuamente – 1 Tessalonicenses 5:17
Antes de reclamar, ore. Quando identificar algo que parece motivo de queixa, converse primeiro com Deus. Reclamar é fácil, mas orar é o caminho humilde e a melhor opção inicial. Ao orar, peça clareza – não para os outros, mas para você mesmo. Muitas vezes, aquilo que parece motivo de reclamação pode ser um aprendizado que Deus quer revelar para que você ore sobre isso, e não para que você espalhe. Pergunte a Deus o que Ele deseja que você faça nessa situação. Ele pode conduzir você a falar ou a permanecer em silêncio. Seguir essa direção nunca será um erro. Começar pela oração naturalmente leva ao segundo passo.
2. Examine seu próprio coração – Mateus 7:3-5
Em Mateus, Jesus nos ensina que o primeiro passo antes de identificar falhas nos outros é examinar nosso próprio coração: “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a viga do seu olho, e então verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.”
Jesus quer que olhemos para dentro antes de criticar os outros. Reconhecer que também temos falhas muda nossa perspectiva e atitude diante da situação. Muitas vezes, ao percebermos as falhas alheias, esquecemos das nossas e, em vez de agir com humildade e graça, agimos com arrogância. Por isso, é sábio remover a viga do próprio olho antes de tentar corrigir os outros. Às vezes, o problema não é a igreja ou o pastor, mas você mesmo. Esse exame interno é essencial antes de avançar para o próximo passo.
3. Tenha empatia pelo pastor – Hebreus 4:15
O corpo de Cristo precisa de mais empatia. Jesus nos deu o exemplo ao viver como ser humano e experimentar tudo que sentimos. Por um momento, esqueça-se de si mesmo e imagine como é estar no lugar do seu pastor. Já pensou na pressão que ele enfrenta? Como pastor, ele carrega inúmeras histórias de vida difíceis e precisa lidar com elas semanalmente, muitas vezes sozinho, pois nem sempre pode compartilhá-las. Esse peso aumenta o estresse do ministério, sendo apenas uma parte das responsabilidades. Antes de reclamar, reflita sobre o que seu pastor faz – isso pode fazer você orar mais do que reclamar.
4. Avalie se sua reclamação é válida ou fruto de expectativas irreais
Muitas reclamações surgem de expectativas que não condizem com a realidade. É como ir a um restaurante especializado em frutos do mar, pedir churrasco e reclamar que não está bom. Avalie se sua queixa está alinhada com o que a igreja ou o líder realmente podem oferecer. Se não for válida, pare por aqui. Se for, siga adiante.
5. Identifique a causa do problema
Compreenda o problema de forma profunda. Por exemplo, se as crianças estão fazendo muito barulho no culto, a reclamação pode ser legítima, mas a causa pode ser a falta de alguém para cuidar daquela faixa etária. Não fique apenas na superfície; entender a raiz da questão é fundamental para avançar.
6. Busque soluções para o problema
Ao procurar soluções, você demonstra que se importa e quer ajudar, não apenas reclamar. Se sua reclamação é legítima, a igreja provavelmente já busca uma resposta. Por que não antecipar-se? Pense na igreja, no pastor e nos recursos disponíveis para ser parte da solução. Quando tiver uma ideia, siga para o próximo passo.
7. Apresente sua reclamação com humildade e sugestões
Este passo pode parecer tardio, mas é crucial. Depois de orar, refletir e pensar em soluções, você estará preparado para dialogar com a liderança da igreja com o coração certo. Assim, você não traz apenas uma queixa, mas também uma proposta para resolver o problema. Considerando o peso que os pastores carregam, essa abordagem será muito mais bem recebida.
8. Envolva-se para ajudar
Parte da solução pode ser sua participação ativa. Se o problema for falta de voluntários, ofereça-se para ajudar naquele ministério. Se não for sua área, ajude a encontrar pessoas capacitadas. Há sempre maneiras de contribuir que diferenciam quem apenas reclama de quem realmente colabora. Sua disposição será um grande apoio para a igreja e para o pastor.
9. Lembre-se da graça em todo o processo
Embora tenha citado a graça por último, ela deve estar presente em todos os passos. Um ex-pastor meu sempre dizia que devemos errar pelo lado da graça. Ou seja, em vez de ser rápido para reclamar, seja rápido para conceder graça. Faça isso porque é o que você deseja receber quando suas falhas aparecerem. Se você quer graça, é isso que deve dar.
A presença de pastores e igrejas sempre traz oportunidades para reclamações – essa é a realidade humana. Porém, o ponto principal não é a reclamação em si, mas como lidamos com ela. Quando abordamos nossas preocupações com oração, autoexame e sabedoria bíblica, nos posicionamos para ser parte da solução e não do problema.
“Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou.” – Colossenses 3:13
O desafio para hoje é: da próxima vez que sentir vontade de reclamar, pare, ore e aja com graça. Sua forma de lidar com os desafios na igreja pode ser a diferença entre causar divisão ou promover a unidade no corpo de Cristo. Afinal, não somos apenas membros de uma igreja, somos parte da família de Deus.
Fonte/Clarence L. Haynes Jr. com informações de Redação – Crosswalk/https://comunhao.com.br. Imagem/Arquivo.
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