quinta-feira, 11 de junho de 2026

Oiapoque sedia encontro internacional sobre Justiça do Trabalho e interâmbio institucional

Evento é organizado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8a Região.

(Macapá-AP) - Nos próximos dias 16 e 17 de junho, a cidade de Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, sediará o I Encontro Amazônico Transfronteiriço da Justiça do Trabalho, organizado e realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8a Região (TRT-8), em parceria coma a Universidade Federal do Amapá (Unifap).

O objetivo do evento, segundo seus organizadores, é fomentar o intercâmbio jurídico e institucional entre os países envolvidos (Brasil e França), promovendo o debate acerca de temas relevantes e contemporâneos do Direito do Trabalho, especialmente no contexto amazônico e transfronteiriço, fortalecendo o diálogo entre as instituições e contribuindo para o aprimoramento da prestação jurisdicional.

A presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, desembargadora Sulamir Palmeira Monassa de Almeida (foto em destaque), frisou que “o Encontro representa um marco importante para o fortalecimento do diálogo institucional entre o Brasil e a Guiana Francesa, em uma região marcada pela diversidade cultural, social e econômica”.

Segundo ela, “é fundamental que as instituições estejam preparadas para construir soluções conjuntas, compartilhar experiências e ampliar os mecanismos de cooperação, em benefício da sociedade”.

“Esse encontro reafirma o compromisso do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região com uma Justiça do Trabalho cada vez mais integrada, moderna e atenta aos desafios das relações de trabalho nas áreas de fronteira”, disse a desembargadora Sulamir Monassa.

“Temos a convicção de que o intercâmbio de conhecimentos e boas práticas contribuirá para o aperfeiçoamento da prestação jurisdicional e para o fortalecimento dos laços entre os povos que vivem nessa fronteira tão importante para o Amapá, Para e Guiana”, frisou.

O juiz de Direito Heraldo Costa, diretor do Fórum da Comarca de Oiapoque, é um dos convidados especiais do evento.

O encontro constará de palestras, mesas-redonda e debates sobre o Direito e a Justiça do Trabalho. Convidados de outros estados brasileiros e também da Guiana Francesa - representando a Justiça da França e as instituições jurídicas e trabalhistas daquele Território de Ultra-mar da França - também estarão presentes ao evento.

Fonte: Da Redação. Imagem: Divulgação/TRT-8.

Continuam abertas as inscrições para demanda espontânea de projetos culturais

(Macapá-AP) - Continuam abertas as inscrições para seleção de projetos artísticos e culturais para recebimento de apoio financeiro por meio do Fundo Estadual de Política Cultural (FEC). As inscrições vão até do dia 30 de junho, às 18h, e podem ser feitas  exclusivamente por meio do site da Secretaria de Estado da Cultura (SECULT), no endereço eletrônico: https://secult.portal.ap.gov.br/.

Nesse endereço devem ser apresentados os documentos de inscrição de forma consolidada, em único arquivo, em formato PDF, até o horário final definido.

Ao todo, o Edital beneficiará 18 áreas culturais, considerando os segmentos artísticos e culturais amapaenses, com o objetivo de incentivar as diversas formas de manifestações culturais do Amapá, promovendo a descentralização da execução dos projetos e a democratização do acesso aos recursos disponibilizados pelo FEC.

O Edital exige que os projetos estejam  enquadrados nas categorias de apoio da demanda espontânea, que considera projetos apresentados por toda a cadeia produtiva do setor cultural amapaense.

A demanda espontânea abrange diversas frentes de atuação, como: formação, preservação, criação e inovação, publicações, pesquisa, manutenção e pequenas reformas de espaços culturais, montagens de espetáculos, apresentações, shows, mostras, feiras, festivais, eventos culturais, circulação, intercâmbio e aquisição de bens culturais, dentre outros que sejam submetidos a avaliação, respeitando a descrição e requisitos específicos constantes no Edital.

Fonte: Secom-IBRAF. Imgem: Divulgação/Secom-GEA.

Assembleia Legislativa aprova projetos históricos de fortalecimento à cultura amapaense

(Macapá-AP) - Na última terça-feira (9), durante sessão ordinária ocorrida na Assembleia Legislativa do Amapá (ALAP), os deputados estaduais apreciaram e aprovaram duas matérias importantes para beneficiar o setor cultural no estado: a revisão da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, e o Plano Estadual de Cultura. Ambos, de autoria e iniciativa do Executivo.

Segundo a secretária de Estado da Cultura, Clícia Vieira Di Miceli, “a criação dessa importante legislação representa um marco para o fortalecimento da política cultural amapaense, ampliando as possibilidades de captação de recursos e investimentos para artistas, produtores, grupos, coletivos, instituições e demais operadores de cultura em todo o estado.

Membros de conselhos de cultura, artistas, representantes de órgãos públicos e integrantes da sociedade civil, que aguardavam com expectativa a aprovação das propostas, compareceram à sessão para apoiar a iniciativa governamental.

De acordo com a Secretaria de Estado da Comunicação Social (Secom-GEA), os projetos são resultado de anos de debates, conferências, consultas públicas e da participação de artistas, produtores culturais, coletivos, conselheiros e representantes da sociedade civil.

MAIS INCENTIVO E MENOS BUROCRACIA

O Plano Estadual de Cultura estabelece diretrizes, metas e estratégias para o desenvolvimento do setor cultural para os próximos dez anos. O objetivo é orientar investimentos, ampliar o acesso às políticas públicas e fortalecer a diversidade cultural em todas as regiões do Amapá.

Por sua vez, a revisão da Lei Estadual de Incentivo à Cultura busca modernizar o mecanismo de incentivo fiscal, tornando-o mais eficiente e menos burocrático. A medida deve ampliar as oportunidades de captação de recursos para projetos culturais e fortalecer a cadeia produtiva da cultura amapaense.

O Instituto Brasil Futuro (IBRAF), que capta recursos e realiza ações de defesa e incentivo à cultura, esteve presente à sessão e apoiou desde os debates iniciais acerca do assunto até a discussão e aprovação das duas matérias.

É uma conquista importante para o presente e futuro da cultura amapaense”, observou o diretor-presidente do IBRAF, João Cleiton Dias de Melo.

Para o governador Clécio Luís, que participou da sessão por vídeo-conferência, a aprovação representa um grande avanço para todo o Estado.

“É uma lei revolucionária, construída com ampla participação popular. Foram dois anos ouvindo os fazedores de cultura em todos os municípios do Amapá. Agora, teremos uma política estadual de cultura mais forte, democrática e acessível. Além disso, os processos serão mais simples e menos burocráticos”, destacou Clécio Luís.

Fonte: Secom-IBRAF, com informações de Dircom-ALAP. Imagem: Divulgação/Dircom-ALAP.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Fé, eleição e influência: as punições para quem pedir votos em igrejas


Com mais templos religiosos do que escolas e hospitais somados, o Distrito Federal se destaca em meio ao debate sobre os limites entre manifestação religiosa e propaganda política. A discussão ganha relevância com a proximidade das eleições e dentro de um cenário no qual a religião exerce forte influência sobre a vida de grande parte da população.

Na capital da República, cerca de 88% dos moradores mantém algum vínculo religioso direto – conforme dados do último Censo do IBGE – o que transforma templos, igrejas e comunidades de fé em espaços de grande alcance social com potencial de impacto eleitoral.

Nesse contexto, especialistas alertam que o uso de igrejas para influenciar o voto de fiéis pode, em determinadas situações, ser enquadrado como abuso de poder religioso, resultando em multas ou cassação de candidaturas.

Segundo o advogado Mauro Pires, que atua na área eleitoral há 30 anos, o abuso de poder político e econômico é caracterizado quando “houver a utilização dos templos e igrejas para promover determinado candidato” ou “difamar a imagem de outro”, ocasionando desequilíbrio na corrida eleitoral.

A proibição no Brasil está prevista na Lei 9.504, de 1997. Segundo Mauro, a Lei da Inelegibilidade também disciplina o tema – ao prever, no artigo 22, que é considerado “abuso de poder todo ato com finalidade de prejudicar ou beneficiar candidato ou partido político, atentando contra a normalidade e legitimidade das eleições”.

“Recentemente, o TSE também reafirmou o entendimento de que a autoridade religiosa pratica esse tipo de abuso quando promove candidato em plena atividade religiosa e dentro dos templos e igrejas, uma vez que essa conduta desvirtua a finalidade da atividade religiosa e provoca o desequilíbrio do pleito”, explicou o advogado.

De acordo com o especialista, qualquer cidadão que tiver provas da prática ilegal pode comunicar os fatos ao Ministério Público Eleitoral. Partidos, por outro lado, têm a opção de ingressar com ação de Investigação Judicial Eleitoral.

No caso de comprovação do descumprimento da norma, a responsabilidade pode recair sobre o candidato beneficiado e sobre a autoridade religiosa que pratica o abuso de poder político.

A legislação brasileira não proíbe que líderes religiosos manifestem opiniões políticas ou participem do debate público. O problema surge quando há utilização da estrutura religiosa para beneficiar candidaturas específicas, pedidos explícitos de voto durante celebrações ou ações capazes de gerar desigualdade na disputa eleitoral.

Igreja como palanque eleitoral

Em dezembro de 2022, por exemplo, à época das últimas eleições, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Amazonas determinou uma multa de R$ 15 mil para três políticos e um pastor por propaganda política fora de época dentro de uma igreja.

De acordo com o juiz que determinou a punição, em abril daquele ano, o pastor, identificado como Moisés de Melo e Silva, aproveitou o auditório lotado da Igreja Canaã, no bairro Japim, em Manaus, para pedir votos explicitamente.

Após a divulgação do vídeo, o Ministério Público entrou com uma representação por propaganda extemporânea. O pastor alegou no processo que só apresentou os candidatos, sem pedir voto. No entanto, a promotoria destacou vários trechos do discurso que mostram o pedido de forma explícita.

Igrejas no DF

Dados apontam que o DF possui 5.429 templos religiosos distribuídos pelo território. Em uma população próxima de 3 milhões de habitantes, os católicos representam cerca de 49,7% dos moradores. Os evangélicos correspondem a aproximadamente 29,2%. Adeptos das religiões umbanda e candomblé representam 0,9%; espíritas são 3,3% e 4,9% fazem parte de outras religiões.

Na prática, isso significa que milhões de eleitores participam regularmente de celebrações, cultos e encontros religiosos, muitas vezes em uma frequência superior à exposição a campanhas eleitorais tradicionais.

 alcance dessas instituições tem levado especialistas a discutirem até onde vai a liberdade de expressão de líderes religiosos e onde começa uma possível interferência indevida no processo eleitoral.

À medida que o calendário eleitoral avança, a atuação de lideranças religiosas tende a permanecer sob observação de partidos, candidatos, eleitores e órgãos de fiscalização.

Fonte: Jéssica Ribeiro/www.metropoles.com. Imagem: P. Deliss/Getty Imagens.

Sinais proféticos: dois dos três sinais da volta de Jesus já se cumpriram, diz pastor

Em entrevista ao “Eu Acredito Podcast”, exibida há cerca de nove meses e que voltou a circular nas redes sociais, o pastor e expositor bíblico Yossef Akiva Avraham declarou que dois dos três sinais proféticos mencionados por Jesus sobre sua segunda vinda já teriam se concretizado. O primeiro deles, segundo ele, é o restabelecimento do Estado de Israel, representado na Bíblia pela figueira.

“A figueira é Israel. Quando a figueira voltar a florescer de novo, Jesus diz: ‘Não passará uma geração desde o florescimento da figueira'”, afirmou o pastor, associando a passagem à recriação do Estado de Israel em 1948. “Do ano 140 até 1948, quase 2 mil anos de diáspora, e em um único dia o Estado voltou a existir. Reviveu. Então, primeiro sinal: a figueira floresceu.”

Multiplicação da Ciência e Avanços Tecnológicos

O segundo dos sinais proféticos já cumprido, de acordo com Yossef, é a multiplicação do conhecimento científico. Ele citou o desenvolvimento da inteligência artificial, das comunicações em tempo real e dos avanços na medicina como exemplos.

“Se alguém dissesse, há algumas décadas, que as pessoas carregariam um telefone sem fio e falariam com alguém do outro lado do mundo em tempo real, ninguém acreditaria”, observou.

“A ciência se multiplicou em todos os aspectos. Hoje nós temos inteligência artificial, tecnologias que reproduzem voz, projetos para conectar tecnologia ao cérebro humano. É uma velocidade muito rápida.”

O Terceiro Sinal e o Obstáculo do Templo

O terceiro dos sinais proféticos, ainda não cumprido segundo o expositor, seria o reaparecimento do Templo de Jerusalém. Yossef reconheceu que há um obstáculo geográfico e religioso: o local onde o templo deveria ser erguido é ocupado pela Mesquita de Al-Aqsa, um dos principais símbolos do islamismo. “O templo só pode ser construído naquele local”, argumentou.

O pastor afirmou que uma eventual mudança nesse cenário não ocorreria por meios humanos. “Só existe um jeito de aquela mesquita sair dali para que o templo seja construído. Ela teria que sair por intervenção divina. Não pode ser por intervenção humana”, concluiu.

Yossef Akiva Avraham atua no ministério evangélico desde 1995, é conhecido por palestras sobre cultura judaica, exegese bíblica e escatologia, e mantém forte presença em redes sociais e eventos cristãos no Brasil.

Fonte: WIL/noticias.gospelmais.com. Imagem: 

Seleção de Curaçao viraliza ao orar e louvar a Deus em hotel antes da estreia na Copa

Imagens da seleção de Curaçao reunida em um momento de oração e louvor poucas horas antes do embarque para a Copa do Mundo viralizaram nas redes sociais. O encontro ocorreu no hotel Huis ter Duin, na Holanda, e contou com jogadores, membros da comissão técnica e familiares.

Nos vídeos compartilhados, o atacante Kenji Gorré, do Maccabi Haifa (Israel), aparece liderando a cerimônia, com momentos de oração, músicas e participação de uma banda.

A concentração da equipe foi realizada na Holanda porque Curaçao, ilha autônoma do Caribe, é um país constituinte do Reino dos Países Baixos, o que viabilizou a preparação em território holandês.

Estreante na Copa, Equipe Enfrenta Alemanha, Equador e Costa do Marfim

Segundo o site Brasil Escola, cerca de 72,8% da população de Curaçao segue a Igreja Católica. Gorré já havia publicado outros registros de oração ao lado de companheiros de seleção. Estreante no Mundial, o time está no Grupo E e estreia no dia 14 de junho contra a Alemanha.

Depois, enfrenta o Equador (20) e a Costa do Marfim (25) pela fase de grupos na Copa. A mobilização religiosa da equipe repercutiu positivamente entre torcedores nas redes sociais.

Fonte: WILL//noticias.gospelmais.com. Imagem: Reprodução/www.webradioprofeta.com.br.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Em Macapá, três menores de alta periculosidade fogem do Cesein e deixam cidade em pânico

(Macapá-AP) - No início da tarde desta segunda-feira (9), três dos mais perigosos adolescentes internados no Núcleo de Medida Socioeducativa de Internação Masculina (Cesein), da Fundação Socioeducativa do Amapá (FSA), fugiram.

A direção do Cesein ainda está avaliando como se deu a fuga, e comunicou o caso às autoridades de segurança pública para que os menores sejam recapturados imediatamente, antes que pratiquem outros crimes contra a população.

Mesmo assim, a notícia da fuga dos menores chegou ao conhecimento público e deixou a população de Macapá em pânico.

Em que pese o Cesein ficar ao lado do quartel-general da Polícia Militar, no bairro do Beirol, os episódios de fugas de menores infratores são recorrentes no local.

Uma fonte do Cesein, que falou sob a condição de anonimato, disse que a falta de investimento na estrutura física do prédio, aliada ao baixo efetivo de servidores, contribui para as constantes fugas de menores.

Até o fechamento desta edição a FSA não tinha se pronunciado oficialmente sobre a fuga dos três menores infratores.

Fonte: Da Redação. Imagem: Divulgação/Internet.

domingo, 7 de junho de 2026

Junho: mês da Assembleia de Deus no Brasil e Dia do Pastor

O mês de junho consolida-se como um dos períodos mais expressivos no calendário cultural e religioso do povo brasileiro, concentrando marcos históricos e celebrações fundamentais para a comunidade evangélica.

Do reconhecimento federal de datas comemorativas aos aniversários das maiores instituições pentecostais do país e do Amapá, o mês reflete a força e a trajetória social desse segmento.

Junho é marcado por importantes celebrações e marcos legais. A relevância de junho se distribui ao longo das semanas, amparada por legislações nacionais e tradições locais:

No primeiro domingo é celebrado o Dia Nacional do Cristão, criado pela Lei nº 14.419, de 20.07.2022.

O segundo domingo é dedicado ao Dia Nacional do Pastor Evangélico. A data foi formalizada em âmbito federal pela Lei Federal nº 14.970, de 13 de setembro de 2024, embora o dia já fizesse parte do calendário de diversos estados e municípios há muitas décadas, graças a leis locais.

O terceiro domingo marca o ápice das comemorações do aniversário da Assembleia de Deus no Brasil. Fundada em Belém do Pará no dia 18 de junho de 1911 pelos missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, a denominação protestante pentecostal tornou-se a maior do país, somando hoje cerca de 15 milhões de membros, sem contabilizar os integrantes de outras vertentes protestantes.

O quarto é último domingo do mês representa o apogeu festivo do aniversário da Assembleia de Deus no Amapá. Considerada a "mãe do protestantismo tucuju, a instituição foi fundada em 27 de junho de 1917. Conhecida como "A Pioneira", ela se posiciona como a maior igreja evangélica no estado, reunindo milhares de fiéis distribuídos em mais de 200 sucursais locais, além de filiais na federação e no exterior.

Fonte: Tribuna Cristã/agazetadoamapa.com.br/. Imagem: Divulgação/Tribuna Cristã.

Próximo domingo, 14, é o Dia do Pastor

Com a proximidade do segundo domingo de junho, as atenções se voltam para a figura dos líderes religiosos. Historiadores e teólogos do segmento ressaltam que, ao contrário do pensamento comum que restringe a atuação pastoral à direção de cultos e à ministração da palavra de Deus, o papel do pastor, na sociedade, é substancialmente mais amplo.

Essa atuação ampliada fundamenta-se nos relatos bíblicos sobre a vida de Jesus, o "Bom Pastor", que associava a pregação espiritual a ações práticas de amparo social como a cura de enfermos, a libertação de cativos dos vícios, das opressões e a multiplicação de pães e peixes para saciar a fome dos necessitados.

Esse conjunto de iniciativas de ordem espiritual e material, denominado de “Evangelho Pleno”, define e justifica a relevante função social e política exercida pelos ministros religiosos na sociedade.

Fonte: Tribuna Cristã/agazetadoamapa.com.br/. Imagem: Divulgação/Tribuna Cristã.

Junho na historiografia do pentecostalismo brasileiro e amapaense

O mês é apontado como o mais importante para a memória do movimento pentecostal na Amazônia e no Brasil. A narrativa histórica destaca dois momentos-chave:

a) Origem Nacional (1911): Em Belém (PA), os suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg iniciaram a trajetória da primeira Assembleia de Deus no país, no dia 18 de junho daquele ano;

b) Pioneirismo no Amapá (1917): Seis anos mais tarde, o movimento alcançou solo amapaense. Após uma visita preliminar do obreiro Clímaco Bueno Aza, em 1916, a primeira igreja tucuju foi oficialmente estabelecida no dia 27 de junho de 1917, sob a condução do obreiro Manoel José de Matos Caravela.

Assim, a cada domingo deste mês, estaremos detalhando todas estas histórias.

Fonte: Tribuna Cristã/agazetadoamapa.com.br/. Imagem: Divulgação/Tribuna Cristã.

O papel institucional da Igreja: entre o impacto social e as críticas contemporâneas

A atuação das instituições religiosas e seu real impacto na estrutura social permanecem no centro de debates frequentemente polarizados. Críticos do fenômeno religioso costumam direcionar o foco a episódios isolados — como desvios de conduta de lideranças específicas, a prática da arrecadação de dízimos e escândalos institucionais. Contudo, sociólogos e defensores do segmento apontam que tais ocorrências, embora reais, são falhas humanas inerentes a qualquer grupo social organizado e não devem eclipsar o legado histórico e a função pública dessas instituições, pois, para além da histórica dimensão espiritual mantida ao longo dos séculos, a igreja desempenha um papel prático de forte relevância social e política.

Um dos principais argumentos a favor de sua importância reside na capilaridade global de suas ações, o que permite o alcance de camadas vulneráveis da população onde o Estado, muitas vezes, se faz ausente.

A assistência oferecida pelas comunidades religiosas abrange um amplo espectro de vulnerabilidade social, prestando socorro imediato e acolhimento a enfermos e necessitados, viúvas e órfãos, cidadãos em situação de exclusão ou desemprego, dependentes químicos e pessoas em situação de prostituição ou exploração.

No campo político e civil, são as guardiãs dos valores éticos e morais de uma sociedade.

Especialistas apontam que o principal desafio de comunicação das igrejas na atualidade reside no fato de que os incontáveis benefícios gerados por suas ações sociais costumam ser minimizados no debate público. Com frequência, as falhas individuais de membros ou dirigentes que afirmam pertencer à instituição são utilizadas de forma generalizada para desvalorizar e diminuir a relevância histórica e o impacto humanitário da igreja no mundo contemporâneo.

Fonte: Tribuna Cristã/agazetadoamapa.com.br/. Imagem: Divulgação/Tribuna Cristã. 

Conselho Estadual de Pastores

Não se deve confundir Conselho de Pastores com ministério/Igreja, Convenção, associação, Ordem, instituto etc. Os ministérios ou Igrejas são entidades que congregam fiéis de uma determinada denominação; cuidam de “ovelhas” na linguagem bíblica. São instituições voltadas às pessoas em geral, cujo objetivo é ganhar almas para Jesus e prepará-las para o arrebatamento.

As demais entidades são representativas, que congregam obreiros (pastores, evangelistas, missionários etc.) de um ou mais ministérios; cuidam da carreira vocacional e ministerial do obreiro.

Os Conselhos estaduais e municipais de pastores são entidades jurídicas interdenominacionais, pertencentes à estrutura da sociedade civil organizada e voltadas à defesa das prerrogativas e dos interesses exclusivos dos pastores de carreira. São instituições dedicadas aos pastores enquanto autoridades eclesiásticas.

Os Conselhos Pastorais também exercem uma função constitucional de defesa do Estado laico e das liberdades religiosas – CF, art. 5º, VI, VII e VIII e art. 19, I, dentre outros.

Fonte: Tribuna Cristã/agazetadoamapa.com.br/. Imagem: Divulgação/Tribuna Cristã.

Livros do Senado sobre o Amapá

Amapá: A terra onde o Brasil começa. Autores: José Sarney e Pedro Costa. Brasília: Senado Federal, Série Nº 35, 4ª ed., 2024, 260p.

A obra enfoca o fato de o Amapá ser o único estado do Brasil que se tornou brasileiro pela vontade de ser brasileiro. Dizem os autores: “Aqui [no Amapá] a história se contorceu, houve enfrentamentos e sangue. Surgiram heróis e mártires. Foi a luta e a determinação dos homens e mulheres do Amapá que todos os dias, em incursões de idealismo e patriotismo, baixavam a bandeira da França e faziam subir a bandeira do Brasil. O coração de ser brasileiro estava no peito dos amapaenses. Essa vontade vem desde o século XVI. Descoberto o Brasil, os portugueses, limitados em suas condições de ocupar o vasto império dos mares que estava descobrindo, da América às costas da China, dedicados à heroica e caríssima missão de equipar carraças para o caminho das Índias, ficaram visitando o sul do Brasil, em passagens esporádicas, sem verdadeiramente ocupá-lo.”

Recomendamos a leitura desse livro histórico e necessário.

Fonte: Tribuna Cristã/agazetadoamapa.com.br/. Imagem: Divulgação/Tribuna Cristã.

Exemplos de orações notáveis da Bíblia

 A oração de Jacó por seu irmão (Gênesis 32.9-1)

“Disse mais Jacó: Deus de meu pai Abraão e Deus de meu pai Isaque, ó Senhor, que me disseste: Torna à tua terra e à tua parentela, e far-te-ei bem; menor sou eu que todas as beneficências e que toda a fidelidade que tiveste com teu servo; porque com meu cajado passei este Jordão e, agora, me tornei em dois bandos. Livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esaú, porque o temo, para que porventura não venha e me fira e a mãe com os filhos.”

Gênesis 32 relata o retorno de Jacó a Canaã e seu maior temor: o reencontro com seu irmão Esaú, a quem havia enganado no passado. Ao invés de depender apenas de suas próprias estratégias, Jacó recorre à oração, reconhece a sua dependência de Deus, e tem um encontro transformador que muda a sua vida e a sua identidade.

A oração de Jacó nos ensina como tratar de nossas questões em família. Quantas pessoas há tanto tempo e até hoje sofrem com questões familiares mal resolvidas. Entenda: é preciso primeiro orar, com humildade e discernimento. Assim, todos os embaraços emocionais são resolvidos pelo poder da bondade de Deus.

Fonte: Tribuna Cristã/agazetadoamapa.com.br/. Imagem: Divulgação/Tribuna Cristã.

sábado, 6 de junho de 2026

Como crescer espiritualmente se seu cônjuge não crê?

Saiba como fortalecer a fé e manter a caminhada cristã mesmo com cônjuge descrente

“Pois, em Cristo, habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e, por meio dele, vocês foram aperfeiçoados. Ele é a cabeça de todo poder e autoridade” (Colossenses 2:9-10).

Cresci com minha mãe sendo cristã e meu pai não. Embora meu pai tenha se convertido posteriormente, durante minha infância e adolescência ele não acreditava. Sua fé era uma mistura de ateísmo e ideais ligados ao movimento Nova Era. Como se pode imaginar, isso gerava conflitos constantes. A Bíblia é clara ao dizer que os cristãos não devem se casar com descrentes (2 Coríntios 6:14-16).

Deus não deseja que cristãos estejam casados com não crentes porque isso distorce o propósito original do casamento. É uma coisa quando dois descrentes se casam e, depois, um deles se torna cristão; é outra coisa quando um cristão decide se casar conscientemente com alguém que não crê. No primeiro caso, o cônjuge crente pode ajudar a conduzir o outro ao Senhor por meio de palavras e atitudes; no segundo, há um pecado intencional sendo cometido.

Se você se casou com alguém que não era crente e você já era cristão, saiba que terá que lidar com as consequências dessa decisão. Mesmo que seu cônjuge seja uma pessoa maravilhosa, provavelmente você já percebeu os conflitos que surgem quando o casal não está igualmente unido no Senhor. Por outro lado, se você se tornou cristão após o casamento e seu cônjuge não crê, saiba que ainda pode ajudá-lo a encontrar a fé no Senhor.

Em ambos os casos, seu crescimento espiritual pode ser prejudicado. Parte do pacto matrimonial é edificar o cônjuge na fé. Quando dois crentes se casam, tornam-se uma só carne (Gênesis 2:24). Esse compromisso não deve ser tomado levianamente, pois é uma responsabilidade profunda diante de Deus. Por isso, o casamento foi planejado para ser entre um esposo e uma esposa que creem juntos.

Embora sua situação atual não corresponda a esse ideal, confie na bondade de Deus. O fato de seu cônjuge não ser crente não significa que sua fé precise ser destruída. Na verdade, seu crescimento espiritual pode ser o caminho para que ele venha a crer no Senhor. Mesmo que isso não aconteça, continue orando por ele, compartilhando o Evangelho e demonstrando o amor de Deus.

Você pode crescer espiritualmente independentemente da fé do seu cônjuge. Ter um parceiro crente é benéfico para o crescimento espiritual, mas não é condição obrigatória. Isso porque, em Cristo, já recebemos a plenitude. Como diz a Bíblia, “em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e, por meio dele, vocês foram aperfeiçoados. Ele é a cabeça de todo poder e autoridade” (Colossenses 2:9-10).

Essa passagem revela que, em Cristo, somos completos e não carecemos de nada. Espiritualmente ou fisicamente, não estamos vazios porque conhecemos o Senhor. Com isso em mente, saiba que você pode começar a crescer espiritualmente hoje. Mesmo que seu cônjuge não creia, você pode aprofundar seu relacionamento com Deus.

Embora seja desafiador viver com alguém que não partilha da mesma fé, mantenha seu foco no Senhor. Cresça espiritualmente lendo a Bíblia, orando regularmente e participando de uma igreja local. Essas práticas fortalecem a caminhada cristã. Com o tempo, seu cônjuge poderá perceber sua fé e despertar interesse pelo Senhor. Se isso acontecer, esteja aberto para responder perguntas e ser uma fonte de apoio.

Oração para crescimento espiritual:
“Querido Senhor, por favor, ajude-me a crescer espiritualmente. Minha fé foi prejudicada por muitas coisas, e preciso da Tua ajuda para me tornar a pessoa que Tu criaste para ser. Meu cônjuge não é cristão, e isso afetou meu crescimento em Ti. Por favor, ajude meu cônjuge a Te conhecer e faça com que meu crescimento espiritual aponte para Ti. Obrigado, Jesus. Em Teu nome, eu oro, amém.”

Ao contrário do que muitos afirmam, a maioria dos casamentos não se destrói por feridas parentais, raiva não resolvida ou passado pecaminoso. Jim Ramos, fundador do Men in the Arena, conversa abertamente com Arlene sobre seu livro Guardrails: 10 Boundaries for an Unbreakable Marriage (Barreiras: 10 Limites para um Casamento Inquebrável). Eles exploram sabedoria prática para construir um casamento duradouro, com base nos mais de 34 anos de experiência de Jim. Ele já viu casamentos desmoronarem e sabe que a maioria não falhou por traumas profundos, mas por pequenas decisões erradas acumuladas ao longo do tempo. Ouça para aprender como evitar esses erros e fortalecer seu casamento. Se gostar, siga o podcast The Happy Home com Arlene Pellicane no Apple ou Spotify para não perder nenhum episódio. (Com informações de Vivian Bricker – Christianity)

Fonte: comunhao.com.br. Imagem: Divulgação/Internet.

47 mil denominações: o que pode estar dividindo a Igreja?

Entenda a diversidade cristã e seu impacto na unidade da Igreja hoje

Não é possível falar sobre o cristianismo moderno sem esbarrar em suas inúmeras denominações. Batista, Pentecostal, Metodista, Presbiteriana, Anglicana, Assembleias de Deus, Igreja de Cristo, Igreja de Deus, Igreja de Deus em Cristo, Sem denominação (mas nem tanto) — cada uma com sua história, estrutura e jeito próprio de celebrar o culto dominical.

Dependendo do lugar onde você cresceu, sua denominação pode ter influenciado desde a forma como você ora até se era permitido dançar no baile de formatura. Porém, com a queda na frequência às igrejas e a crescente indefinição quanto à filiação, muitos cristãos — especialmente os jovens na faixa dos 20 anos — estão fazendo uma pergunta que há muito tempo precisava ser feita: por que existem tantas denominações? E isso ainda importa?

A origem das denominações e o que elas realmente representam

Costumamos pensar que as denominações são fruto de diferenças teológicas profundas. Mas, na verdade, a maioria delas se baseia em preferências. Seja cantando hinos tradicionais ou músicas contemporâneas como Hillsong; seja celebrando a comunhão em um cálice dourado ou em um copo plástico pré-embalado; seja ficando em pé, ajoelhado ou balançando durante o culto; seja ouvindo um sermão declamado, lido ou improvisado; ou até mesmo chamando a pregação de “sermão” ou não.

O problema mais profundo é que transformamos a Igreja em algo que se parece mais com uma guerra de marcas do que com o corpo de Cristo. Isso não começou assim. A Igreja primitiva era diversa, caótica e profundamente unida em Jesus. No livro de Atos, vemos o Espírito Santo atravessando barreiras culturais, sociais e políticas para unir pessoas muito diferentes em um único movimento: judeus crentes, samaritanos meio excluídos e gentios completos. A mensagem era radical e clara: Jesus estava construindo uma só Igreja. Não um único estilo de igreja. Não um único sistema teológico. Um corpo — com muitas partes.

Como chegamos a 47.000 denominações?

Algumas divisões foram necessárias. Houve momentos na história em que as pessoas precisaram defender a verdade, combater a corrupção ou reagir contra uma má teologia. Mas muitas das divisões vieram depois, quando poder, ego, política e até estética começaram a se misturar à missão. Como o historiador David Bebbington afirmou, a fragmentação da igreja muitas vezes foi “menos sobre doutrina e mais sobre ego, etnia e disputas territoriais eclesiásticas”.

Essa realidade não é apenas história antiga. Nos Estados Unidos, a lealdade denominacional está se desintegrando rapidamente — especialmente entre a geração Z e os millennials mais jovens. Segundo pesquisa do Pew Research Center, apenas 28% dos adultos com menos de 30 anos dizem se identificar com uma denominação protestante específica. Quase metade agora frequenta igrejas sem denominação formal, que, tecnicamente, são uma denominação, só que recusam usar uma etiqueta.

Essa rejeição dos rótulos não é aleatória. Muitos jovens cristãos estão cansados das guerras internas. Eles viram pessoas serem expulsas por causa de doutrinas secundárias. Assistiram a igrejas se dividirem porque alguém mudou o piano de lugar. Sentaram em cultos que gastaram mais tempo defendendo tradições do que apontando para Jesus.

O impacto da divisão e o chamado à unidade

E aqui está a verdade desconfortável: nossa obsessão com categorias pode estar prejudicando mais do que ajudando a Igreja. Agimos como se as linhas denominacionais fossem sobre convicções teológicas, mas muitas vezes são apenas sobre conforto. Nos aproximamos de pessoas que adoram do jeito que gostamos, pensam como nós e votam conforme esperado. Isso não é unidade, é tribalismo.

Jesus não construiu uma tribo. Ele construiu uma Igreja. Ele chamou intencionalmente pessoas que discordavam profundamente — um cobrador de impostos e um zelote político na mesma equipe de ministério? Isso não é uma estratégia para plantar igreja, é uma receita para o desastre. Mas Ele fez isso mesmo assim, porque a Igreja foi feita para ser diversa. Não apesar do Evangelho, mas por causa dele.

Quanto mais nos dividimos por questões secundárias, mais perdemos de vista o que realmente importa. O teólogo N.T. Wright disse de forma direta: “Quando deixamos que nossas ênfases teológicas se tornem identidades que excluem os outros, não estamos mais expressando unidade em Cristo — estamos minando-a”.

E esse é o problema real. As denominações se tornam tóxicas quando se fecham para dentro, quando se preocupam mais em preservar uma estrutura do que em cumprir a missão, quando deixam de perguntar “Como refletimos Jesus?” para começar a perguntar “Como protegemos nossa marca?”

Gostamos de dizer que somos um corpo com muitos membros, mas frequentemente parece que somos 47.000 corpos diferentes competindo por espaço no mercado. Jesus não disse: “Conhecerão vocês por serem meus discípulos pela precisão teológica”. Ele disse: “Conhecerão vocês pelo amor”.

Isso não significa que a teologia não importa. Importa, sim. Mas quando amor, humildade e unidade são sacrificados no altar da correção teológica, perdemos completamente o sentido.

A Igreja não precisa apagar sua diversidade. Mas precisa lembrar sua identidade. Servimos ao mesmo Deus. Seguimos o mesmo Cristo. Recebemos a mesma comissão: ir, fazer discípulos, amar a Deus e amar as pessoas.

Não haverá denominações no céu. Então talvez devêssemos parar de agir como se elas fossem o principal aqui na terra. Porque, embora a Igreja tenha 47.000 sabores, há apenas um nome que salva. E não é “Presbiteriana”. (Com informações de John Taylor – Relevantmagazine)

Fonte: comunhao.com.br. Imagem: Divulgação/Jhon Taylor/Relevant Magazine.

Dilema de junho: crente participa ou não da festa junina?

Celebrações culturais movimentam R$ 7,4 bilhões e geram debate entre evangélicos sobre fé e tradição

Junho chega vestido de bandeirinhas coloridas, cheiro de milho cozido, canjica fumegante e o som das quadrilhas espalhadas pelas cidades brasileiras. Para milhões de pessoas, é tempo de celebrar uma das manifestações culturais mais populares do país. Para muitos evangélicos, porém, a chegada das festas juninas também traz uma dúvida recorrente: afinal, crente pode participar desse tipo de celebração?

A pergunta não é nova. Todos os anos ela reaparece em igrejas, grupos de jovens, famílias cristãs e redes sociais. A resposta, no entanto, passa por uma compreensão mais ampla da origem dessas celebrações, do significado que elas possuem atualmente e, sobretudo, da forma como cada cristão entende sua fé e seu testemunho diante da sociedade.

As festas juninas têm raízes muito anteriores ao Brasil. Sua origem remonta a celebrações agrícolas realizadas na Europa durante o período do solstício de verão, quando comunidades comemoravam as colheitas e a fertilidade da terra. Com o avanço do cristianismo, essas festividades foram incorporadas ao calendário religioso e associadas a três santos da tradição católica: Santo Antônio, celebrado em 13 de junho; São João Batista, em 24 de junho; e São Pedro, em 29 de junho.

A tradição chegou ao território brasileiro pelas mãos dos portugueses durante o período colonial e, ao longo dos séculos, ganhou características próprias. Elementos indígenas, africanos e sertanejos foram incorporados à festa, transformando-a em uma expressão cultural tipicamente brasileira. Hoje, a quadrilha, a fogueira, as bandeirinhas, o casamento caipira e as comidas à base de milho fazem parte do imaginário popular nacional.

Festa gera bilhões na economia

Os números mostram a força dessa tradição. Segundo dados recentes do Ministério do Turismo, cerca de 24 milhões de pessoas participam anualmente dos grandes festejos juninos espalhados pelo país. Em 2025, as celebrações movimentaram aproximadamente R$ 7,4 bilhões na economia, impulsionando setores como turismo, hotelaria, comércio, alimentação e entretenimento.

Pesquisas apontam ainda que mais de 80% dos brasileiros participam de alguma atividade relacionada às festas de junho, seja em escolas, igrejas, associações comunitárias ou eventos públicos.

Em algumas cidades, o impacto das festividades é tão expressivo que rivaliza com o Carnaval. Municípios como Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco, disputam há décadas o título de maior São João do mundo, atraindo turistas de todas as regiões do país e movimentando milhares de empregos temporários. Mas é justamente a ligação histórica das festas com a devoção aos santos católicos que gera questionamentos entre muitos evangélicos.

Onde entra a fé evangélica

Para o pastor Jorge Linhares, líder da Igreja Batista Getsêmani de Belo Horizonte e presidente do Conselho de Pastores do Estado de Minas Gerais, o cristão precisa distinguir claramente o aspecto cultural do aspecto religioso da celebração.

Segundo ele, existem festas que glorificam a Deus e outras que estão ligadas à religiosidade popular sem relação direta com o cristianismo bíblico. Nesse contexto, Linhares questiona qual seria o propósito de um evangélico participar de uma festa dedicada a santos que não fazem parte de sua prática de fé. Ao mesmo tempo, o pastor ressalta que a Bíblia apresenta inúmeros exemplos de celebrações, encontros e momentos festivos promovidos pelo próprio povo de Deus.

Na avaliação de Linhares, o problema não está na alegria, na confraternização ou mesmo na culinária típica do período. O ponto central é a motivação da festa. Por isso, muitas igrejas têm criado alternativas próprias durante o mês de junho, promovendo eventos familiares com nomes como Festa da Comunhão, Festa de Junho, Festa Country, Festa do Milho ou Festa Jesuína, preservando o caráter de confraternização sem associar a celebração à veneração de santos.

Essa adaptação tem se tornado cada vez mais comum entre comunidades evangélicas em todo o país. Nesses encontros, os participantes desfrutam de comidas típicas, brincadeiras, apresentações musicais e momentos de convivência, mas substituem elementos considerados incompatíveis com sua confissão de fé por atividades voltadas à comunhão cristã.

A doutora em Antropologia Social Lidice Meyer Pinto Ribeiro observa que essas versões evangélicas das festas juninas refletem um fenômeno cultural interessante. Segundo ela, trata-se de um processo de ressignificação, no qual determinados elementos culturais são mantidos enquanto aspectos religiosos específicos são deixados de lado.

Para a pesquisadora, a questão não está necessariamente em participar de um arraial ou consumir os alimentos típicos da época. O desafio está em avaliar a própria consciência e o impacto que determinadas escolhas podem gerar sobre outras pessoas. Ela lembra que muitos cristãos interpretam a participação nessas festas de maneiras diferentes e, por isso, a orientação da igreja local e o princípio do amor ao próximo devem ser considerados antes de qualquer decisão.

Essa perspectiva encontra eco na reflexão do pastor Pedro Nóia, da Comunidade Batista Cristã, em Vila Velha, Espírito Santo. Segundo ele, diferentes igrejas possuem compreensões distintas sobre festas populares e manifestações culturais. Por isso, não existe uma regra única capaz de abranger toda a diversidade do meio evangélico brasileiro.

Nóia afirma que sua comunidade evita tanto a demonização automática dessas celebrações quanto sua adoção indiscriminada. Para ele, o mais importante é que o cristão mantenha uma consciência limpa diante de Deus e evite atitudes que possam causar escândalo ou divisão entre irmãos. Na sua avaliação, os extremos representam riscos igualmente preocupantes: de um lado, o sincretismo; do outro, uma postura excessivamente condenatória que pode se aproximar do legalismo religioso.

O pastor também chama atenção para o papel das famílias na formação espiritual das crianças. Em um período no qual escolas, condomínios e comunidades organizam festas temáticas, pais cristãos frequentemente enfrentam dúvidas sobre a participação dos filhos. Para Nóia, mais importante do que simplesmente proibir ou permitir é ensinar os fundamentos da fé cristã, ajudando as crianças a compreenderem suas convicções sem perder a capacidade de conviver de forma saudável com pessoas que pensam diferente.

Bíblia ensina a ter equilíbrio

O pastor e teólogo Erasmo Vieira acrescenta outra dimensão ao debate. Para ele, a Bíblia não apresenta uma proibição específica sobre festas juninas, mas orienta os cristãos a examinarem todas as coisas à luz de sua consciência e de sua fidelidade a Cristo. Segundo Vieira, cada crente deve avaliar se sua participação está associada apenas ao aspecto cultural ou se envolve práticas religiosas incompatíveis com sua fé.

O teólogo destaca que o Novo Testamento frequentemente orienta os cristãos a agirem com liberdade responsável. Isso significa que nem toda prática cultural precisa ser rejeitada automaticamente, mas também que nem tudo o que é culturalmente aceito convém espiritualmente a todos. O discernimento, portanto, torna-se fundamental.

Enquanto alguns enxergam as festas como celebrações essencialmente religiosas e preferem se afastar delas, outros entendem que muitos de seus elementos já foram incorporados ao patrimônio cultural nacional e podem ser desfrutados sem conflito espiritual.

Talvez por isso a resposta para a pergunta inicial não seja um simples sim ou não. Entre fogueiras, sanfonas e pratos típicos, cada cristão é convidado a refletir sobre suas convicções, seu testemunho e sua responsabilidade diante de Deus e da comunidade da qual faz parte. Mais do que decidir se participa ou não de uma festa junina, a questão passa a ser como viver a fé de maneira coerente em meio às tradições culturais que cercam a vida cotidiana.

Como aproveitar o mês de junho sem contrariar a fé cristã

• Valorizar os aspectos culturais e familiares da festividade, evitando práticas que contrariem a própria fé;

• Participar de eventos promovidos pela igreja ou por grupos cristãos que priorizem a comunhão e o lazer saudável;

• Aproveitar a culinária típica, reconhecendo que alimentos e costumes regionais fazem parte da riqueza cultural brasileira;

• Evitar excessos, comportamentos inadequados e situações que possam comprometer o testemunho cristão;

• Respeitar a orientação da igreja local e dialogar com seus líderes quando houver dúvidas;

• Ensinar crianças e adolescentes a compreenderem a diferença entre cultura e devoção religiosa;

• Agir com amor e respeito diante de irmãos que possuam entendimentos diferentes sobre o tema;

• Lembrar que a comunhão, a alegria e a gratidão são valores bíblicos que podem ser celebrados em qualquer época do ano.

Fonte: Cristiano Stefenoni/comunhao.com.br. Imagem: Divulgação/Internet.

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