(Brasília - DF)
– O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF),
proferiu um voto favorável à manutenção de uma resolução do Conselho
Federal de Psicologia (CFP) que proíbe psicólogos de associarem sua
prática clínica a crenças religiosas, algo que para a psicóloga Marisa
Lobo constitui uma ameaça à liberdade religiosa dos profissionais
cristãos.
A
decisão, ocorrida no âmbito de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADI), tem provocado intensos debates entre profissionais da área,
juristas e grupos religiosos, que veem na medida uma possível restrição à
liberdade de expressão e de fé.
O
foco da controvérsia é a Resolução CFP nº 01/99, que estabelece normas
de atuação para psicólogos em relação à orientação sexual e identidade
de gênero. O texto proíbe a utilização de “terapias de reversão sexual” e
impede que os profissionais tratem a homossexualidade como patologia.
O
voto do ministro Moraes, acompanhando a maioria da corte, reafirmou a
validade da resolução, argumentando que a prática da psicologia deve ser
fundamentada exclusivamente em bases científicas, independentemente das
convicções pessoais do profissional.
Críticos
da decisão, como a psicóloga e colunista Marisa Lobo, argumentam que o
voto de Moraes abre caminho para a perseguição de psicólogos cristãos.
Em artigos publicados no Pleno News
e em suas redes sociais, Lobo sustenta que a medida impede que
profissionais mencionem sua fé, mesmo em ambientes privados ou redes
sociais, o que configuraria uma “criminalização da fé na psicologia”.
Segundo
essa perspectiva, a resolução do CFP estaria sendo utilizada para punir
psicólogos que não aderem a certas visões ideológicas, ferindo o
direito constitucional à liberdade religiosa.
Por
outro lado, o Conselho Federal de Psicologia defende que a resolução é
essencial para garantir a dignidade humana e evitar práticas
discriminatórias. O
órgão ressalta que a proibição não se refere à fé pessoal do psicólogo,
mas à sua aplicação indevida no contexto clínico. No entanto, a própria
Marisa Lobo tem sido vítima de ações por causa das suas manifestações
cristãs (um exemplo aqui).
O
debate jurídico no STF também envolve a discussão sobre os limites do
poder regulamentar dos conselhos profissionais. Enquanto alguns
ministros veem as resoluções como ferramentas legítimas de controle
ético, outros juristas questionam se tais normas podem sobrepor-se a
direitos fundamentais.
O
caso reflete a complexidade das relações entre ciência, ética
profissional e liberdade religiosa no Brasil contemporâneo, onde
decisões do Judiciário frequentemente tornam-se pontos de tensão entre
diferentes visões de mundo.
Até
o momento, a decisão do STF mantém as diretrizes do CFP em vigor, o que
significa que psicólogos que descumprirem as normas podem estar
sujeitos a processos administrativos e sanções disciplinares.
O
tema continua a ser monitorado de perto por associações de psicólogos
cristãos e por entidades de defesa dos direitos humanos, evidenciando
que a conciliação entre fé e prática científica permanece como um dos
grandes desafios da profissão.
Fonte: WILL/noticias.gospelmais.com. Imagem: Divulgação/afp_tickers.
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