Entenda a diversidade cristã e seu impacto na unidade da Igreja hoje
Não é possível falar sobre o cristianismo moderno sem esbarrar em suas inúmeras denominações. Batista, Pentecostal, Metodista, Presbiteriana, Anglicana, Assembleias de Deus, Igreja de Cristo, Igreja de Deus, Igreja de Deus em Cristo, Sem denominação (mas nem tanto) — cada uma com sua história, estrutura e jeito próprio de celebrar o culto dominical.
Dependendo do lugar onde você cresceu, sua denominação pode ter influenciado desde a forma como você ora até se era permitido dançar no baile de formatura. Porém, com a queda na frequência às igrejas e a crescente indefinição quanto à filiação, muitos cristãos — especialmente os jovens na faixa dos 20 anos — estão fazendo uma pergunta que há muito tempo precisava ser feita: por que existem tantas denominações? E isso ainda importa?
A origem das denominações e o que elas realmente representam
Costumamos pensar que as denominações são fruto de diferenças teológicas profundas. Mas, na verdade, a maioria delas se baseia em preferências. Seja cantando hinos tradicionais ou músicas contemporâneas como Hillsong; seja celebrando a comunhão em um cálice dourado ou em um copo plástico pré-embalado; seja ficando em pé, ajoelhado ou balançando durante o culto; seja ouvindo um sermão declamado, lido ou improvisado; ou até mesmo chamando a pregação de “sermão” ou não.
O problema mais profundo é que transformamos a Igreja em algo que se parece mais com uma guerra de marcas do que com o corpo de Cristo. Isso não começou assim. A Igreja primitiva era diversa, caótica e profundamente unida em Jesus. No livro de Atos, vemos o Espírito Santo atravessando barreiras culturais, sociais e políticas para unir pessoas muito diferentes em um único movimento: judeus crentes, samaritanos meio excluídos e gentios completos. A mensagem era radical e clara: Jesus estava construindo uma só Igreja. Não um único estilo de igreja. Não um único sistema teológico. Um corpo — com muitas partes.
Como chegamos a 47.000 denominações?
Algumas divisões foram necessárias. Houve momentos na história em que as pessoas precisaram defender a verdade, combater a corrupção ou reagir contra uma má teologia. Mas muitas das divisões vieram depois, quando poder, ego, política e até estética começaram a se misturar à missão. Como o historiador David Bebbington afirmou, a fragmentação da igreja muitas vezes foi “menos sobre doutrina e mais sobre ego, etnia e disputas territoriais eclesiásticas”.
Essa realidade não é apenas história antiga. Nos Estados Unidos, a lealdade denominacional está se desintegrando rapidamente — especialmente entre a geração Z e os millennials mais jovens. Segundo pesquisa do Pew Research Center, apenas 28% dos adultos com menos de 30 anos dizem se identificar com uma denominação protestante específica. Quase metade agora frequenta igrejas sem denominação formal, que, tecnicamente, são uma denominação, só que recusam usar uma etiqueta.
Essa rejeição dos rótulos não é aleatória. Muitos jovens cristãos estão cansados das guerras internas. Eles viram pessoas serem expulsas por causa de doutrinas secundárias. Assistiram a igrejas se dividirem porque alguém mudou o piano de lugar. Sentaram em cultos que gastaram mais tempo defendendo tradições do que apontando para Jesus.
O impacto da divisão e o chamado à unidade
E aqui está a verdade desconfortável: nossa obsessão com categorias pode estar prejudicando mais do que ajudando a Igreja. Agimos como se as linhas denominacionais fossem sobre convicções teológicas, mas muitas vezes são apenas sobre conforto. Nos aproximamos de pessoas que adoram do jeito que gostamos, pensam como nós e votam conforme esperado. Isso não é unidade, é tribalismo.
Jesus não construiu uma tribo. Ele construiu uma Igreja. Ele chamou intencionalmente pessoas que discordavam profundamente — um cobrador de impostos e um zelote político na mesma equipe de ministério? Isso não é uma estratégia para plantar igreja, é uma receita para o desastre. Mas Ele fez isso mesmo assim, porque a Igreja foi feita para ser diversa. Não apesar do Evangelho, mas por causa dele.
Quanto mais nos dividimos por questões secundárias, mais perdemos de vista o que realmente importa. O teólogo N.T. Wright disse de forma direta: “Quando deixamos que nossas ênfases teológicas se tornem identidades que excluem os outros, não estamos mais expressando unidade em Cristo — estamos minando-a”.
E esse é o problema real. As denominações se tornam tóxicas quando se fecham para dentro, quando se preocupam mais em preservar uma estrutura do que em cumprir a missão, quando deixam de perguntar “Como refletimos Jesus?” para começar a perguntar “Como protegemos nossa marca?”
Gostamos de dizer que somos um corpo com muitos membros, mas frequentemente parece que somos 47.000 corpos diferentes competindo por espaço no mercado. Jesus não disse: “Conhecerão vocês por serem meus discípulos pela precisão teológica”. Ele disse: “Conhecerão vocês pelo amor”.
Isso não significa que a teologia não importa. Importa, sim. Mas quando amor, humildade e unidade são sacrificados no altar da correção teológica, perdemos completamente o sentido.
A Igreja não precisa apagar sua diversidade. Mas precisa lembrar sua identidade. Servimos ao mesmo Deus. Seguimos o mesmo Cristo. Recebemos a mesma comissão: ir, fazer discípulos, amar a Deus e amar as pessoas.
Não haverá denominações no céu. Então talvez devêssemos parar de agir como se elas fossem o principal aqui na terra. Porque, embora a Igreja tenha 47.000 sabores, há apenas um nome que salva. E não é “Presbiteriana”. (Com informações de John Taylor – Relevantmagazine)
Fonte: comunhao.com.br. Imagem: Divulgação/Jhon Taylor/Relevant Magazine.
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