domingo, 2 de agosto de 2026

Último filho vivo do Pastor Vicente Rêgo Barros visita Macapá

Nesta semana, esteve em Macapá o obreiro Enéias Barros, juntamente com a esposa. Ele é o único remanescente da família nuclear do Pastor Vicente Rêgo Barros, o qual foi presidente da Assembleia de Deus – A Pioneira do Amapá, nos idos de 1950.

Há muito anos Enéias reside em Belém do Pará, por força de sua carreira militar e congrega na Assembleia de Deus – Igreja-Mãe, presidida pelo Pastor Samuel Câmara.

Assim que soube da ilustre presença do obreiro Enéias em terras tucuju, o Pastor Besaliel Rodrigues, autor do livro da história da referida igreja, logo articulou um encontro com o mesmo, o qual aconteceu na paradisíaca residência do Pastor Adão Francisco de Oliveira, na Rodovia JK, Km 7.

O encontro foi inesquecível, repleto de fatos e conversas memoriais a respeito da Obra de Deus em terras amapaenses. Ainda, ontem, sábado, o Pastor Besaliel Rodrigues gravou um podcast completo com Enéias, nos estúdios da RBN, o qual irá ao ar em breve.

Neste domingo, Enéias amanheceu de volta a Belém do Pará, com sua esposa.

História da Igreja – Memória Cristã

A trajetória da Assembleia de Deus no Amapá está profundamente enraizada na vida e na dedicação do Pastor Vicente Rêgo Barros. Nascido em Fortaleza (CE) em 1904, sua jornada foi marcada por provações severas, milagres impressionantes e uma liderança pastoral incansável que expandiu a presença pentecostal de ponta a ponta do extinto Território Federal.

Das provações à chamada ministerial

A conversão de Vicente aos 16 anos, em 1921, exigiu um alto preço pessoal. Aconselhado por um sacerdote católico, seu núcleo familiar o expulsou de casa. Ele enfrentou graves enfermidades e perseguições extremas — incluindo episódios de violência física extrema —, mas manteve-se inabalável em sua fé. Anos mais tarde, após o falecimento de sua primeira esposa, Ester, e um novo matrimônio com Ângela dos Santos Barros, iniciou sua trajetória oficial nos ministérios de diaconato e presbitério no Pará, destacando-se na administração de congregações em Peixe-Boi e Icoaraci com rigor administrativo e contas sempre equilibradas.

A chegada a Macapá e a expansão histórica

Em abril de 1954, Vicente Rêgo Barros assumiu a liderança da Assembleia de Deus em Macapá, substituindo o Pastor Deocleciano Cabralzinho de Assis. Sua chegada foi marcada por um culto lotado e avivamento imediato. Sob seu pastorado, o evangelho ultrapassou a capital, alcançando municípios e localidades estratégicas como Mazagão, Oiapoque, Calçoene, Serra do Navio, Santana e Clevelândia do Norte.

Um dos episódios mais marcantes de seu ministério ocorreu em maio de 1954, durante a enchente do Rio Amazonas, quando o pequeno Benedito Uchôa, dado como morto após afogamento, foi restituído à vida após intensas orações de seus pais com a presença do pastor. O fato notório impulsionou fortemente o crescimento da igreja, que rapidamente multiplicou seu número de fiéis.

Marcos do pastorado (1954–1961)

Destacam-se a Inauguração do Templo Central: Construído exclusivamente com dízimos, ofertas e voluntariedade, foi inaugurado solenemente em 21 de agosto de 1958, sem contrair dívidas e o pioneirismo na Mocidade: Fundou as bases da união de mocidade na década de 1950, estruturando o Conjunto Juvenil; para adolescentes e o Coral da Igreja.

Um fim de carreira em pleno exercício eclesiástico

No dia 16 de janeiro de 1961, durante uma reunião de Santa Ceia, o Pastor Vicente conduziu suas últimas atividades ministeriais: apresentou a tesouraria com saldo positivo, deu posse a novos oficiais e exortou a comunidade. Acometido por um ataque de congestão, pediu que a igreja entoasse o hino 500 da Harpa Cristã e, horas depois, na madrugada de 17 de janeiro, partiu para o descanso eterno aos 56 anos.

Seu funeral reuniu uma multidão sem precedentes em Macapá, contando com a presença de autoridades governamentais, civis e líderes de diversas denominações evangélicas e cristãs, simbolizando o respeito unânime conquistado por sua retidão. O legado de Vicente Rêgo Barros ecoa até os dias atuais, eternizado não apenas na história institucional da igreja no Amapá, mas também na memória das obras sociais e educacionais que levaram o seu nome.

Fonte: agazetadoamapa.com.br. Imagem: Divulgação/Internet.

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