Pesquisadores monitoram 7.456 cultos e missas brasileiras em busca de “crimes eleitorais”
Foi divulgada na imprensa nacional que nos dois domingos antes do 1º turno, a associação More in Common Brasil e o grupo de pesquisa Passagens, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), analisaram 7.456 missas e cultos publicados no YouTube. Foram 13.886 horas de áudio. O coordenador, Rodrigo Toniol, escreveu na Folha de S.Paulo que o objetivo era “identificar crimes eleitorais e menções políticas nos púlpitos religiosos”.
Pelo critério dos pesquisadores, até bênção a candidaturas ou campos políticos contou como propaganda. Mesmo assim, em 96,8% das transmissões não houve propaganda nenhuma. Nas missas católicas, em 99,3%. A suposta propaganda apareceu em 3,2%: 8,3% na Assembleia de Deus, 1,4% entre os batistas e 0,7% nas missas. A própria Folha noticiou que a pesquisa “refuta voto de cajado nas igrejas”.
Na Lei das Eleições, propaganda em templo pode dar multa de R$ 2 mil a R$ 8 mil (art. 37). Bênção ou apoio a candidato não está na lista de crimes eleitorais do Código Eleitoral.
No mesmo mês, universidades federais tiveram atos pró-Lula dentro do campus. Até 14 de outubro, nenhum levantamento parecido sobre salas de aula ou sindicatos tinha sido divulgado.
A Constituição proíbe o poder público de embaraçar o funcionamento das igrejas (artigo 19, I) e garante o livre exercício dos cultos (artigo 5º, VI). A More in Common Brasil, aberta em 2024, faz parte de uma rede internacional com mais de 30 financiadores. Um deles, a Luminate, do grupo de Pierre Omidyar, fundador do eBay e financiador do site The Intercept, doou US$ 4,3 milhões à rede em 2017 e 2019. O estudo não informa quem o pagou nem o que será feito com as transcrições.
Com informações de: Folha de S.Paulo (artigo de Rodrigo Toniol e reportagem sobre o levantamento), Diário do Centro do Mundo, Constituição Federal (arts. 5º e 19), Lei 9.504/1997 (art. 37), Código Eleitoral, Civic Tech Field Guide, Agência Brasil, Sintufrj, O Globo e The Pillar.
Fonte: besalielrodrigues.blogspot.com. Imagem: Divulgação/besalielrodrigues.blogspot.com.

Nenhum comentário:
Postar um comentário